Visita Canônica aos missionários da Consolata em Angola

Grupo dos missionário da Consolata que trabalham na Angola com os superiores. Foto: IMC Angola

Um verdadeiro momento de renovação missionária e de gratidão pela semente que já dá frutos.

A presença dos missionários da Consolata em Angola teve início em 2014, quando o primeiro grupo de padres chegou ao país com a missão de evangelizar e promover o desenvolvimento humano. Desde então, têm contribuído para o fortalecimento da Igreja local, a criação de novas comunidades cristãs e o acompanhamento pastoral das famílias, dos jovens e das populações mais vulneráveis.

Por Dani Romero *

Ao celebrarmos 12 anos de presença missionária em terras angolanas, tivemos a alegria de receber, nos dias 1 a 8 de Julho de 2026, a Visita Canônica do Superior Geral, padre James Lengarin, do Conselheiro Geral para a África, padre Erasto Mgalama, acompanhados pelo Superior Regional de Moçambique-Angola, padre Cassiano Kalima.

Um momento da visita à missão de Lucano na Angola

Foram dias intensos de trabalho, escuta, partilha fraterna e encontro com os missionários, as comunidades cristãs, as famílias e os jovens das nossas três presenças missionárias em Angola: Luacano, Funda e Capalanga.

Luacano: primeira evangelização e esperança

Ao chegarem a Luanda, no dia 2 de julho os superiores seguiram viagem até ao Luena, capital da Província do Moxico, no leste de Angola, onde foram recebidos pelo Bispo diocesano, Dom Martín Lasarte, salesiano uruguaio, que manifestou profunda gratidão pela presença consoladora dos missionários da Consolata na sua Diocese, particularmente na missão de Luacano.

Após este encontro, os superiores, acompanhados pelos padres Fernando Chissano (Moçambique) e Jean Baptiste Kambale (RD do Congo), percorreram aproximadamente 217 quilómetros em cerca de dez horas por estradas de terra batida para chegar a Luacano, onde os missionários da Consolata estão presentes desde 2018.

Padre James Lengarin e padre Erasto Mgalama com o Bispo de Luena, dom Martín Lasarte. Foto: Cassiano Kalima

Nesta vasta área pastoral, com cerca de 13.573 km², os missionários dedicam-se à primeira evangelização dos povos Cokwe e Luvale. O trabalho missionário inclui visitas às comunidades, catequese, projectos educativos, alfabetização de crianças e adultos, bem como a promoção humana através do ensino de técnicas agrícolas mais produtivas e sustentáveis.

Na paróquia Santa Maria Mãe de Deus, os superiores encontraram-se com os missionários e com a pequena comunidade cristã local, que os acolheu com grande alegria, cânticos e espírito de família. A visita incluiu ainda o Lago Dilolo, onde existem duas comunidades cristãs isoladas, acessíveis apenas durante a estação seca, através de longos percursos em estradas de areia.

“Esta visita é uma grande bênção de Deus. Ela acontece apenas uma vez a cada seis anos, permitindo ao nosso povo conhecer pessoalmente os superiores do Instituto”, afirmou o padre Fernando Chissano que trabalha em Lucano. Foi, sem dúvida, um momento de renovação da fé e do espírito missionário, tanto para os missionários como para o povo desta região distante dos grandes centros urbanos de Angola.

Os superiores e missionários com um grupo de cristãos da Missão de Funda na Angola

A celebração eucarística presidida pelo padre James Lengarin, na paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus, no domingo 5 de julho, marcou o fim da Visita Canônica em Luacano. Agradecida, a comunidade cristã, muito generosa apresentou as suas oferendas. 

Funda: evangelização, promoção humana e missão

Após muitas horas de viagem, no dia 6 de julho, os superiores prosseguiu para a Missão de Funda, na Província do Icolo e Bengo, onde os missionários da Consolata estão presentes desde 2016, ao serviço da Diocese de Caxito.

Actualmente, a comunidade missionária é composta pelo padres Douglas Nyangena (Quênia) e o padre Dani Romero (Venezuela), responsáveis pela paróquia Nossa Senhora Consolata.

Padre James Lengarin, padre Dani Romero, padre Douglas Nyangena e padre Erasto Mgalama. Foto: Cassiano Kalima

Além do acompanhamento pastoral das 25 comunidades cristãs que integram a paróquia, os missionários dedicam-se à promoção humana através da assistência aos doentes, das campanhas de prevenção e combate à desnutrição infantil e dos idosos, da animação missionária e vocacional e da formação de agentes pastorais.

Durante a visita, os superiores encontraram-se com os missionários, percorreram o território paroquial e participaram da celebração eucarística matinal com a comunidade cristã.

O padre Douglas Nyangena expressou a gratidão da comunidade missionária. “Muito obrigado pela visita. Sentimos a vossa presença paterna e consoladora na nossa comunidade. Foi um momento de grande renovação espiritual e missionária”, observou.

Missa na paróquia Nossa Senhora Consolata de Funda

Capalanga: missão nas periferias urbanas

A última etapa da Visita Canônica, no dia 7 de julho, foi em Capalanga, um bairro periférico e populoso do município de Viana, em Luanda, onde os missionários da Consolata assumiram em 2014 a paróquia Santo Agostinho, pertencente à Diocese de Viana.

A comunidade missionária é formada pelo padres John Kyara (Tanzânia) e Fredy Gómez (Colômbia) que acaba de ser destinado a Região do Brasil.

Nesta missão, os missionários dedicam-se especialmente ao acompanhamento pastoral das comunidades periféricas, à alfabetização de adultos, à assistência aos doentes nos hospitais e centros de saúde próximos e à animação missionária e vocacional, particularmente junto da juventude.

Visita ao bispo de Viana, dom Emílio Sumbelelo

Durante a visita, os superiores encontraram-se com os missionários e com a comunidade paroquial, além de serem recebidos pelo bispo da Diocese de Viana, dom Emílio Sumbelelo, que agradeceu a presença dos missionários da Consolata e o generoso trabalho pastoral que realizam na Diocese.

Um tempo de renovação missionária

A programação da Visita Canônica ao grupo IMC na Angona incluiu uma reunião dos seis missionários da Consolata trabalhando no país. Foi um momento privilegiado de avaliação, escuta e discernimento sobre o caminho percorrido e os desafios futuros da missão.

Os superiores agradeceram o testemunho de cada missionário e destacaram a riqueza da interculturalidade presente nas comunidades missionárias em Angola. Salientaram ainda a importância de investir na estabilidade do pessoal missionário, na autossustentação das presenças e na formação de novos missionários angolanos chamados a servir a missão além-fronteiras.

Encontro com o grupo dos missionários em Angola

“Deveis fazer uma boa integração entre a pessoa do missionário, a comunidade e a pastoral”, disse o Superior Geral, padre James Lengarin dirigindo-se ao grupo.

Padre Erasto Mgalama, acrescentou: “É necessário sermos comunidade. A África é missionária e devemos ajudar os leigos e as comunidades a sentirem-se verdadeiramente missionários”.

Por sua vez, o Superior Regional para Moçambique-Angola, padre Cassiano Kalima, encorajou o grupo. “Sois jovens missionários. Deveis animar-vos e animar os outros. As pessoas vos querem bem”, destacou.

A Visita ao grupo da Angola foi concluída com uma solene celebração eucarística na paróquia Santo Agostinho em Capalanga. Nela, elevamos a nossa ação de graças a Deus pelos 12 anos de presença missionária neste país africano e pela acolhida generosa do povo angolano, que continua a caminhar connosco na construção do Reino de Deus.

Paróquia Nossa Senhora Consolata na Missão de Funda

Esta visita foi, verdadeiramente, um tempo de renovação missionária, de comunhão fraterna e de gratidão pela semente lançada há 12 anos, que hoje continua a germinar, crescer e a dar abundantes frutos.

No dia 9 de julho, os superiores seguiram viagem para Moçambique onde, até o dia 5 de agosto, continuarão a Visita Canônica à Região.

* Padre Dani Romero, IMC, Missionário venezuelano na Angola.

 

Conteúdo Relacionado