Condenação e pedido de esclarecimento imediato sobre o crime cometido

A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) publicou uma Nota Pastoral de repúdio, classificando o assassinato do Bispo de Quelimane como um ato bárbaro que atinge não apenas a Igreja, mas toda a sociedade moçambicana.

Por Jaime C. Patias *

Dom Osório Citora Afonso, IMC, que exercia simultaneamente as funções de bispo de Quelimane, administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira e Secretário-Geral da CEM, foi assassinado na manhã de 6 de junho, na residência episcopal de Quelimane, por indivíduos armados.

“A Páscoa deste nosso irmão no episcopado é, na verdade, uma páscoa de sangue. Mas à semelhnaça da Páscoa de Cristo, cuja morte na Cruz foi o sinal maior do seu Amor até ao fim, a Páscoa deste homem de Deus, cuja vida foi também uma doação até ao fim, é igualmente uma Páscoa de Ressurreição e de Glória”, afirma o documento.

Bispos da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), entre os quais Dom Osório Afonso, em maio de 2026

Os funerais de Dom Osório Citora Afonso serão realizados inicialmente em Quelimane, na sexta-feira, 12 de junho de 2026, às 9h (hora local). Após a celebração, os restos mortais serão transportados para a Diocese de Nampula, onde, no sábado, 13 de junho, após a missa fúnebre na Catedral, o corpo será sepultado no cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula.

Para os Bispos de Moçambique, o crime representa uma agressão frontal à vida humana, à dignidade da pessoa e aos valores fundamentais da convivência social.

“Não estamos apenas perante a morte de um homem de Igreja. Estamos perante um atentado contra a consciência moral da nação”, afirmam os prelados na mensagem divulgada esta terça-feira, 8 de junho de 2026 a partir de Maputo.

Na nota, os bispos manifestam profunda dor pela perda daquele que descrevem como um pastor dedicado, próximo do povo e totalmente entregue ao serviço da Igreja e da sociedade.

Segundo a CEM, a violência que vitimou Dom Osório ultrapassa as fronteiras da comunidade católica e atinge todos os moçambicanos que nele reconheciam um defensor da dignidade humana, da justiça e da esperança.

Os líderes da Igreja consideram particularmente grave o facto de a vítima ser uma figura que dedicou a vida à promoção da paz, da reconciliação e do bem comum.

“O assassinato cruento de Dom Osório foi uma tentativa de silenciar  a voz da fé, da justiça e da paz, é um atentato contra a própria missão da Igreja, que vive para anunciar o Evangelho e defender a dignidade humna”, sublinha o documento assinado pelo presidente da CEM, o arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, IMC.

Num dos pontos da nota, a Conferência Episcopal exige que as autoridades atuem com rapidez, rigor e transparência para identificar e responsabilizar os autores materiais e morais do crime.

Uma celebração na arquidiocese de Beira, Moçambique

Os bispos alertam que qualquer atraso ou omissão poderá ser interpretado como uma grave falha das instituições encarregues de proteger os cidadãos.

A Igreja entende que este caso não pode transformar-se em mais um número nas estatísticas da criminalidade nem ser esquecido pelo tempo.

Pelo contrário, defendem que o esclarecimento do assassinato é uma obrigação moral do Estado e um teste à capacidade das instituições de garantirem segurança e justiça.

“Sentimo-nos profundamente consolados e agradecidos pelas inúmeras manifestações de solidariedade, pelas mensagens de condolências, pelas orações e pelos gestos de proximidade que nos têm sido dirigidos nestes dias pelos Santo Padre, irmãos Bispos de outros episcopados, counidades cristãs, fiéis, confissões religiosas, isntituições do Estado,, organizações da sociedade civil e por tantas pessoas de boa vontade, dentro e fora do país”, escrevem os bispos.

A nota conclui com um convite à comunhão, à oração e à proximidade fraterna entre todos. Rafirmamos a fé e esperança na Ressurreição, na certeza de que a última palavra pertence à vida e não à morte, à esperança e não ao desespero”.

Leia a íntegra da Nota da CEM

* Padre Jaime C. Patias, Assessoria de Comunicação

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