
Três meses após o assassinato de dom Osório Citora Afonso, IMC, bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, ainda permanecem sem resposta questões fundamentais: “quem matou exatamente dom Osório? Quem foram os autores morais e materiais desta morte violenta? Quais seriam as motivações do assassinato?”
Por Redação *
Dom Osório foi assassinado em 6 de junho de 2026 em sua residência em Quelimane. Diante de uma morte tão violenta quanto injustificável, os bispos da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) reuniram-se de 2 a 4 de setembro no Seminário Filosófico Santo Agostinho da Matola, para uma Assembleia Plenária Extraordinária “com o objetivo de refletir sobre sua morte violenta e injustificável”.

Ao final do encontro, os bispos da CEM divulgaram uma declaração dirigida “às comunidades cristãs e a todos os homens e mulheres de boa vontade”, inspirada nas palavras do Cântico dos Cânticos: “Forte como a morte é o amor” (Ct 8,6).
“O encontro foi precedido pelo funeral de dom Januário Machaze Nhangumbe, bispo emérito de Pemba, falecido em 23 de agosto. Com sua morte – e a do cardeal Júlio Duarte Langa, bispo emérito de Xai-Xai, falecido em 3 de agosto – terminou a primeira geração de bispos do pós-independência de Moçambique”, afirmam os bispos no início de sua nota, assinada pelo presidente da CEM, mons. Inácio Saure, IMC, arcebispo de Nampula.
A declaração prossegue: “Se a morte desses nossos venerandos irmãos no episcopado nos causou profunda tristeza, consola-nos o fato de Deus lhes ter concedido uma longa vida a serviço Dele e de Seu povo. Todavia, a morte violenta de dom Osório Citora Afonso – provocada por mãos assassinas – foi um duro golpe no coração da Igreja Católica em Moçambique e continua a fazer-nos sofrer. Perdemos um nosso irmão ainda jovem, de quem se esperava muito”.
O assassinato de dom Osório ainda não foi esclarecido
Três meses após o assassinato de dom Osório, os bispos de Moçambique lamentam que “os autores e as circunstâncias de seu assassinato ainda não tenham sido esclarecidos”. Sua morte, ressaltam, “provocou profunda dor na Diocese de Quelimane e em todo o povo moçambicano, que ainda se questiona como é possível que um pastor – que amava a vida, a paz e o seu povo – tenha sido assassinado em sua própria residência!”

Em sua declaração, os bispos da CEM expressam ainda gratidão “pelas inúmeras manifestações de solidariedade recebidas de muitas pessoas em Moçambique e no mundo após a morte do Bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Beira. Dirigimos um agradecimento especial ao Santo Padre – o Papa Leão XIV –, que desde a primeira hora acompanha de perto a situação em Moçambique, encorajando-nos a transformar essa tragédia num caminho de conversão, purificação e renovação”.
A esse respeito, os bispos relembram a audiência de 3 de julho, quando o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano o presidente da CEM, dom Inácio Saure, o vice-presidente, dom João Carlos Hatoa Nunes, e o arcebispo emérito de Beira, dom Claudio Dalla Zuanna. “Nessa ocasião, o Santo Padre manifestou a sua proximidade e seu interesse no esclarecimento das circunstâncias e a causas da morte de dom Osório Citora Afonso. No encontro com o Santo Padre e com outros organismos do Vaticano, sentimo-nos verdadeiramente acompanhados por toda a Igreja”, observam os bispos.

As questões fundamentais continuam sem resposta
Em sua nota, os bispos de Moçambique voltam a levantar as questões fundamentais sobre o assassinato do bispo de Quelimane, dom Osório Citora Afonso, pedindo que se esclareçam plenamente as circunstâncias e as responsabilidades pelo ocorrido.
“A Igreja Católica em Moçambique e no mundo continua, de fato, a viver com profunda dor e preocupação este assassinato sem precedentes na história da Igreja em Moçambique. Lamentamos que, apesar das diligências feitas até ao momento, nada se sabe das autoridades competentes sobre o sucedido. Faltam as respostas às questões que todos fazemos: quem matou exatamente dom Osório? Quem foram os autores morais e materiais desta morte violenta? Quais seriam as motivações do assassinato?”

“Exortamos as autoridades a prosseguirem na busca pela verdade”
“Três meses após o ocorrido – lembram os bispos -, ainda aguardamos respostas a essas perguntas. Exortamos as autoridades judiciais a prosseguirem no empenho de buscar a verdade, para que ela possa se tornar um caminho de esperança, reconciliação e purificação, capaz de contribuir para sanar essa ferida atroz”.
Ao reiterarem sua solidariedade e proximidade com a Diocese de Quelimane, os bispos também chamam a atenção para a necessidade de enfrentar os desafios internos da Igreja, que exigem um caminho de reforma e renovação “à luz da fé”. “A Igreja precisa de testemunhas da Boa Nova que levem a sério, com radicalidade, o coração do Evangelho, colocando na base de todas as atividades, antes de todas as ocupações pastorais, a relação com Deus e a caridade fraterna. Este programa de vida nos convida a redescobrir a beleza de caminhar juntos, fortalecendo os vínculos de fraternidade, partilhando a vida e renovando o compromisso evangelizador da Igreja”.

A nota conclui com um desejo dirigido à Igreja e aos seus pastores: “Que Deus seja real e existencialmente o primeiro a ser servido em todas as nossas formas de viver a nossa vocação, para que, seguindo nosso Senhor, continuemos conscientes da urgência de Sua missão, e que, impulsionados pelo Espírito Santo, sejamos cada vez mais testemunhas credíveis da alegria e da esperança do Evangelho. Que Maria, Mãe da Igreja e Rainha da Paz, acompanhe o nosso povo e nos ensine a permanecer unidos em Cristo, firmes na fé, perseverantes na caridade e alegres na esperança que não engana” (Rm 5,5).
* Redação com informações da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).


