
Retiro espiritual em Rondinha marcou a terceira semana do Curso Continental de Formação Contínua dos Missionários da Consolata, que também incluiu encontros com missionários, seminaristas, comunidades e momentos de fraternidade em Curitiba.
Por Júlio Caldeira, IMC *
A terceira semana do Curso Continental de Formação Contínua dos Missionários da Consolata, destinado a missionários com 10 a 15 anos de ordenação, foi realizada entre Rondinha – Campo Largo e Curitiba, no Paraná, de 14 a 19 de setembro. O momento central da semana foi o retiro espiritual.
Depois de duas semanas dedicadas à memória da própria caminhada e à redescoberta da identidade carismática, os participantes foram convidados a fazer uma pausa, aprofundar a vida de oração e discernir os caminhos da missão.

Silêncio, oração e reflexão
O retiro foi realizado na Casa de Retiros Santo André, em Rondinha, Campo Magro, e orientado pelo padre Juan Pablo de los Ríos, Conselheiro Geral dos Missionários da Consolata. Os dias de silêncio, oração e reflexão possibilitaram aos participantes uma releitura da própria trajetória vocacional e missionária, retomando experiências que marcaram os anos de vida religiosa e sacerdotal.
Mais do que acrescentar novos conteúdos, o retiro procurou criar um espaço para escutar, agradecer e discernir à luz da Palavra de Deus e do carisma deixado por São José Allamano. Ao “buscar a água de Deus” (cf. Gn 24; Is 55), as alegrias, dificuldades, realizações, crises e esperanças da caminhada puderam ser colocadas diante de Deus, retomando as fontes da vocação e o sentido do serviço missionário.

Para o padre Edgar Chavarro, missionário colombiano, o ambiente vivido durante os exercícios espirituais foi fundamental para a experiência. “Houve muita acolhida e afeto; creio que esse é o motor que leva a que os exercícios sejam produtivos”, afirmou. Segundo ele, o acolhimento e a fraternidade ajudam a “voltar aos começos” do seguimento de Jesus e a recordar os primeiros momentos da intuição vocacional para a vida religiosa e o serviço ao ser humano.
Padre Edgar também ressaltou a importância de interromper a rotina do trabalho missionário e mudar de ambiente. “Sair de casa, parar, colocar-se em movimento em outros lugares” foi, para ele, uma experiência significativa, pois permite ao missionário tomar distância de determinadas ideias e situações e olhar novamente para a própria caminhada, à luz do Evangelho e das motivações que o levaram a assumir o ministério religioso e presbiteral.
Os ícones “Fala, Senhor. Teu servo escuta”, da “Trindade” e “Senhor, onde moras?” e outros do artista plástico Cláudio Pastro, considerado o maior nome da arte-sacra brasileira, presentes entre as imagens que compõem os espaços da Casa de Retiros, tornaram-se também fontes de inspiração para a oração e a meditação durante esses dias.

Encontros e partilhas
Durante o retiro, as entrevistas vocacionais com os padres Edgar Chavarro, José Fernando Florez e Urbanus Mulati foram também momentos de encontro e conhecimento fraterno. Ao compartilhar suas histórias, cada um apresentou diferentes etapas e experiências de seu caminho vocacional e missionário, proporcionando “uma rica partilha de experiências de vida”. A escuta dessas trajetórias permitiu reconhecer a diversidade de caminhos vividos dentro de uma mesma vocação e perceber como o carisma da Consolata ganha rosto e se encarna em diferentes contextos, culturas e realidades missionárias.
Após o retiro, os participantes seguiram para Curitiba, onde visitaram o Seminário Filosófico dos Missionários da Consolata e se encontraram com os missionários e seminaristas. Para alguns participantes do curso, o contato com os jovens em formação também foi uma oportunidade de recordar as diferentes etapas pelas quais cada um passou em sua própria caminhada.
A programação incluiu ainda uma Eucaristia e um café da manhã partilhado com as famílias que acolheram os participantes e com alguns membros do Conselho Pastoral da Paróquia Santa Margarida. A experiência permitiu aproximar-se da realidade concreta de uma comunidade viva e compartilhar com os leigos experiências de fé, missão e participação na vida da Igreja.

Memória de uma missionária mártir
Em sintonia com a família Consolata, a festa da Bem-aventurada Leonella Sgorbati, celebrada no dia 17 de setembro, ocupou um lugar especial na conclusão do retiro. Missionária da Consolata e mártir do perdão, Leonella foi recordada como testemunha de uma vida dedicada ao serviço e à missão.
A celebração aconteceu no contexto de uma semana marcada pela oração e pela releitura da própria vocação, tornando sua memória particularmente significativa para os missionários reunidos no curso. Para o padre Joseph Mugerwa, que presidiu a celebração, a trajetória de vida da beata “recorda a dimensão de entrega, serviço e fidelidade presente na vocação missionária”.

A fraternidade no caminho
A terceira semana também contou com momentos de convivência fora dos espaços formais de formação. Os participantes compartilharam momentos fraternos com as famílias que os acolheram, conheceram alguns dos parques de Curitiba e tiveram a oportunidade de estar juntos no litoral do Paraná.
Esses espaços de convivência permitiram fortalecer os vínculos entre os missionários, conhecer melhor as histórias de cada participante e simplesmente compartilhar a vida. Para um grupo formado por missionários provenientes de diferentes países e experiências de missão, a fraternidade constitui uma dimensão importante do próprio processo formativo.
Assim, entre o silêncio do retiro, as histórias vocacionais compartilhadas, os encontros em Curitiba e os momentos de convivência, a terceira semana ofereceu aos participantes um tempo para parar e olhar novamente para a própria caminhada.

Depois de recordar a história e aprofundar a identidade carismática, o curso avança para sua última semana, que será realizada em São Paulo, de 20 a 24 de setembro, com a proposta de escutar, discernir e renovar a disponibilidade para a missão, à luz do Magisterio dos Papas Francisco e Leão XIV.
* Padre Júlio Caldeira é missionário da Consolata na Amazônia colombiana e um dos participantes do curso.


