São Carlos Borromeu: modelo de caridade e humildade

Intercessão de Carlos Borromeu amparada pela Virgem Maria – Rottmayr Fresco 1714 – Karlskirche – Viena

É celebrada no dia 04 de novembro a festa de São Carlos Borromeu, Patrono das Congregações dos Missionários e das Missionárias Scalabrinianas. Conheça um pouco da história do Santo que doou a vida com humildade em favor dos mais necessitados.

Por Amanda Almeida

Nascido em 2 de outubro de 1538, em Arona, Itália, Carlos Borromeu era filho do Conde Gilberto Borromeu e Margherita de Medici, irmã do Papa Pio IV. Desde criança Carlos demonstrava forte inclinação para a vida religiosa, sendo seu maior prazer construir pequenos altares, nos quais, diante dos irmãos e amigos, imitava as funções sacerdotais.

Aos 22 anos, então formado em Direito, foi nomeado cardeal pelo tio, tendo sido ordenado Arcebispo de Milão em 1564, onde passou a ser conhecido por estar sempre próximo ao povo, tendo assumido a Arquidiocese de Milão apenas em 1565.

Carlos tinha planos grandiosos para uma reorganização da Igreja Católica, que se centraram na conclusão do Concílio de Trento, tendo ele organizado a terceira e última sessão do Concílio, que durou de 1562 a 1563, e, após sua realização, quis ser o primeiro a executar as ordens da nova lei, mesmo que, por esse motivo, tenha deixado sua posição para ocupar um cargo mais baixo.

Reforma em Milão

Após assumir a arquidiocese de Milão, que à época era a maior da Itália, com cerca de 3.000 clérigos e mais de 800.000 pessoas, Borromeu iniciou uma grande reforma na diocese, onde boa parte da população havia se distanciado dos ensinamentos da Igreja. Ele passou, então, a aplicar os decretos do Concílio de Trento não só dentro da Igreja, mas também em Monastérios, Igrejas Colegiadas e Confrarias de Penitentes.

Carlos acreditava que os abusos de poder na Igreja surgiam de clérigos ignorantes e, por isso, entre suas mais importantes ações, estabeleceu seminários para a educação dos futuros padres, bem como reforçou o ensino catequético em Milão.

Fome e peste em Milão

O Arcebispo Carlos Borromeu era conhecido por praticar amplamente a caridade e a humildade, tendo doado durante sua vida grande parte de seus bens aos mais pobres, guardando para si apenas o necessário. Quando entre 1569 e 1570 a fome e uma epidemia semelhante a peste atingiram Milão, sem ter mais o que dar aos necessitados, ele próprio passou a pedir esmola para dar aos pobres, reabrindo assim as fontes de auxílio que haviam sido fechadas com a crise.

Á direita, pintura retratando a ajuda de São Carlos Borromeu às vítimas da peste em Milão, pintura por Jacob Jordaens.

Anos depois, em 1576, Milão foi atingida por uma epidemia de peste e, com medo, o governador da cidade e muitos membros da nobreza abandonaram a cidade, deixando a população à própria sorte. Carlos, no entanto, permaneceu para dar assistência aos afetados pela doença e dar os sacramentos aos mortos. Quando suas fontes de recurso se esgotaram, o Arcebispo lançou mão de tudo o que possuía para ajudar os doentes, tendo trabalhado incansavelmente pelos doentes e famintos.

Durante a epidemia, Carlos chamou todos os superiores de comunidades religiosas da diocese e conseguiu sua cooperação para apoiar a população necessitada. Todos os dias, o sacerdote tentava alimentar de 60 a 70 mil pessoas, tendo entrado em dívidas para conseguir comida aos famintos. Na época, pelo menos 100 padres morreram enquanto atuavam no cuidado aos doentes.

Enquanto a peste assolava Milão, o Arcebispo andava pela cidade com uma cruz para que as pessoas a vissem e pudessem encontrar nela esperança para passar por aquela situação de calamidade. Além disso, ele também realizava celebrações públicas, para que as pessoas mesmo sem estarem presentes pudessem participar de suas janelas. Por fim, Borromeu conseguiu convencer o governador de Milão a retornar à cidade, quando a peste foi controlada.

Morte e canonização

Em outubro de 1584, quando se retirou para fazer seus costumeiros exercícios espirituais, foi acometido por uma forte febre, à qual não deu importância de imediato e dizia: “Um bom pastor de almas deve saber suportar três febres, antes de se meter na cama”. Com o retorno da febre, sua saúde rapidamente se deteriorou e, após receber os santos sacramentos, faleceu aos 46 anos, no dia 03 de novembro de 1584.

Após sua morte, surgiu uma grande devoção popular ao Arcebispo, que se espalhou rapidamente. Seu aniversário passou a ser comemorado como se já fosse nomeado Santo e devotos de diversas cidades recolheram informações e documentação para apoiar sua causa de canonização.

No dia 16 de setembro de 1602, o Arcebispo de Milão foi beatificado pelo Papa Clemente VIII e, oito anos depois, em 1º de novembro de 1610, foi canonizado pelo Papa Paulo V, que fixou a festa de São Carlos Borromeu no dia 4 de novembro. Desde então, seus restos mortais descansam na Cripta da Catedral de Milão, em uma urna coberta com painéis de prata, que descrevem a sua vida.

Fonte: Imprensa Scalabriniana – www.missionariascalabrinianas.org.br

Conteúdo Relacionado