
O Missionário da Consolata chamado carinhosamente “Padre Durva”, faleceu aos 84 anos, deixando uma trajetória missionária nos serviços de animação missionária e vocacional, formação, pastoral e pela proximidade com as pessoas.
Por Júlio Caldeira IMC *
O padre Durvalino Condicelli, Missionário da Consolata, conhecido carinhosamente como “padre Durva”, faleceu na noite desta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, na Casa Regional dos Missionários da Consolata, em São Paulo. Tinha 84 anos, 59 de profissão religiosa e 52 anos de sacerdócio.
Natural de São Manuel (SP), onde nasceu em 10 de março de 1942, Pe. Durvalino era filho de Felisberto Condicelli e Cristina Muzzacchio. Sua história pessoal esteve profundamente ligada à presença dos Missionários da Consolata no Brasil. São Manuel, sua terra natal, foi justamente o lugar onde, em 1937, chegou o primeiro missionário da Consolata à América, o padre João Batista Bísio.
Ao longo de sua vida missionária, Pe. Durva exerceu diferentes serviços no Instituto: foi formador, animador missionário e vocacional, pároco, vigário e superior de comunidades locais. Sua missão o levou a comunidades de Manaus (AM), Rio do Oeste (SC), Curitiba e Cascavel (PR), além de São Paulo e São Manuel (SP). Pe. Durvalino partiu serenamento ao encontro do Senhor a quem procurou servir durante 52 anos de sacerdócio.
Em sua terra natal, nas comunidades onde exerceu seu ministério e no coração de tantos que encontraram nele um amigo e pastor, permanece a memória de um Missionário da Consolata que fez da alegria, da disponibilidade e do anúncio do Evangelho uma forma concreta de viver sua vocação. Mais do que os cargos e funções desempenhados, porém, são as lembranças de quem conviveu com ele que ajudam a revelar o rosto do missionário.

“Um missionário brincalhão, amigo e generoso”
O padre Jaime C. Patias, IMC, recorda o encontro com Pe. Durvalino em 1984, quando ambos estavam ligados à Paróquia Santa Margarida, em Curitiba, onde funcionava também o Seminário Filosófico: naquele tempo era Pe. Durvalino e o seminarista Jaime.
“Um missionário brincalhão, amigo e generoso”, define Pe. Jaime. Segundo ele, Durvalino mantinha uma relação muito próxima com os seminaristas, acompanhando-os na pastoral, nos estudos, nos trabalhos e também nos esportes.
A música e as histórias das missões faziam parte de sua maneira de animar as pessoas. “Gostava de contar histórias das missões e de animar com o seu violão, em especial as novas gerações, crianças da catequese, adolescentes e jovens sem descuidar dos adultos e enfermos. Cumpria com entuásmo e dedicação a sua missão. Nas missas gostava de destacar um parte do rito para aprofundar o sentido da celebração do mistério. Tinha sempre uma palavra amiga com uma pitada de bom humor a quem necessitava”.
Para Pe. Jaime, essa alegria não diminuía a seriedade com que assumia sua vocação. Ao contrário, Pe. Durvalino cumpria sua missão “com entusiasmo e dedicação”, sempre identificado com o carisma ad gentes e com as missões.
Embora não tenha realizado uma experiência missionária internacional, os anos vividos na Amazônia, especialmente em Manaus, ampliaram sua experiência pastoral e missionária. Para Pe. Jaime, ele foi “um filho de São José Allamano” que soube seguir as pegadas do padre João Batista Bísio, primeiro Missionário da Consolata a pisar o chão do Brasil.

“Um grande pescador de homens”
De São Manuel vem o testemunho de Patrícia Beghi, que conviveu com Pe. Durvalino desde a infância. Ele era amigo de seu pai e esteve presente também no início de sua caminhada de catequese, quando atuava como diretor espiritual da catequese no seminário. Patrícia guarda especialmente uma frase que, segundo ela, permanece ecoando: “A catequese é a menina dos olhos da Igreja”.
Para ela, a vida do padre Durvalino foi marcada pela alegria de anunciar o Evangelho e pela capacidade de acolher as pessoas. A pesca, uma de suas paixões, torna-se também uma imagem para definir sua missão: “Gostava de pescar, sim, como gostava, mas foi mesmo um grande pescador de homens”.
Patrícia destaca ainda que ele ensinava que não bastava ser cristão: era necessário ser missionário. Em suas falas, demonstrava grande amor por Santa Teresinha, a quem chamava carinhosamente de “Menina Teresinha”, e devoção a Nossa Senhora Consolata, padroeira das missões. “Por onde ia, abria as portas para acolher a todos”, recorda. Diante da despedida, encontra consolo na fé de que o amigo Durva vive agora sua Páscoa definitiva e contempla Deus na eternidade.

“Um missionário por excelência”
Em Cascavel (PR), Gustavo Tasoniero recorda Pe. Durvalino como “palmeirense, truqueiro, um grande amigo e um missionário por excelência”.
Durante sua passagem pela cidade deixou uma marca de presença e proximidade. “Quando passou por Cascavel, muito dedicado aos trabalhos do Seminário e quando Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo, soube deixar a sua marca e sua presença sempre cativante”.
Gustavo e sua esposa, Renata, tiveram ainda a alegria de tê-lo como presença significativa em sua família: Pe. Durvalino acompanhou seu matrimônio e batizou seu segundo filho. A lembrança termina com uma oração: “Que a Mãe Consolata e São José Allamano o recebam no céu, junto a Jesus! Descanse em paz na glória de Deus, querido amigo Padre Durvalino”.

“Era muito querido e alegre”
O missionário da Consolata português padre João Monteiro da Felícia conheceu o Pe. Durvalino quando chegou ao Brasil, em 1974. Sua lembrança é marcada pela facilidade de relacionamento, pelo sorriso e pelo bom humor. “Piadinha pronta. Sorriso largo e era muito alegre. Era bom estar com ele”, recorda.
Pe. João também encontrou o legado pastoral de Durvalino quando assumiu posteriormente uma paróquia onde ele havia trabalhado em São Paulo. Utilizou materiais de formação preparados pelo missionário e testemunha que era uma pessoa muito querida.
Ao recordar sua origem em São Manuel, berço da presença dos Missionários da Consolata no Brasil, resume sua homenagem de forma simples e fraterna: “Paz, irmão Durva”.

“Um padre amigo, próximo e simples”
Emerenciana Raia, jornalista da Revista Missões e animadora na Paróquia Nossa Senhora Consolata, em São Paulo, recorda a passagem de Pe. Durvalino pela comunidade, onde assumiu como pároco em fevereiro de 2001, tendo como vigário o Pe. Giovanni Magnino. Ela o descreve como “um padre amigo, próximo, simples”, conhecido pelas boas gargalhadas e por uma alegria que fazia parte de seu jeito de estar com as pessoas.
Durante os três anos em que esteve à frente da paróquia, a comunidade enfrentou algumas dificuldades, entre elas os conhecidos “apagões” provocados pela estiagem e pela falta de estrutura do setor elétrico, que levaram inclusive ao cancelamento da tradicional quermesse paroquial. Mesmo diante das dificuldades, Emerenciana destaca que Pe. Durvalino manteve a serenidade e a humildade.
“Era difícil vê-lo triste. Sempre alegre e animado”, recorda. Para ela, foi “um autêntico missionário, a exemplo de seu Fundador, São José Allamano”, alguém que procurava “fazer o bem bem feito, na simplicidade do dia a dia”. Sua passagem pela comunidade terminou em fevereiro de 2004, mas deixou uma memória que permanece: “Deixa saudades”.

“Um missionário coringa, sempre disposto a servir”
O padre Lírio Girardi, IMC, conviveu com Pe. Durvalino desde os tempos de formação teológica, a partir de 1968, e esteve presente também em sua ordenação sacerdotal, celebrada em São Manuel, em 9 de dezembro de 1973.
Ao longo dos anos, os dois voltaram a se encontrar em diferentes lugares e missões. Pe. Lírio recorda especialmente a disponibilidade de Durvalino para assumir diferentes serviços no Instituto. Por isso, o próprio missionário dizia que era considerado um “coringa”: alguém sempre disposto a suprir outro missionário e colaborar onde fosse necessário. Essa disponibilidade o levou a desempenhar diversas responsabilidades, entre elas serviços de animação, formação e secretaria regional.
Mas, para Pe. Lírio, havia uma característica que se destacava acima das demais: a obediência. “Para ele não era difícil fazer a vontade do superior, e ele via, na vontade do superior, o dedo de Deus”, testemunha. Por isso, considera o voto de obediência uma das marcas fundamentais de sua vida missionária.

Uma vida entregue à missão
A trajetória de Pe. Durvalino foi marcada por uma constante disponibilidade para servir. Depois de sua profissão religiosa, em 16 de fevereiro de 1967, em Aparecida de São Manuel, e da ordenação sacerdotal, em 9 de dezembro de 1973, iniciou uma longa caminhada missionária.
Sua primeira destinação foi a Paróquia Santa Luzia, em Manaus, onde permaneceu entre 1974 e 1976. Depois, dedicou-se à formação em Rio do Oeste, Curitiba e São Manuel, além de atuar na animação missionária em São Paulo, Curitiba e Cascavel.
Também exerceu o serviço de superior da Casa Regional em São Paulo e desempenhou responsabilidades como secretário regional. No campo pastoral, foi pároco e vigário em diferentes comunidades, entre elas as paróquias da Consolata, em São Paulo, São Paulo Apóstolo, em Cascavel, e São Manuel, sua cidade natal.
Nos últimos anos, permaneceu ligado à missão em São Manuel. Desde maio de 2026, encontrava-se na Casa Regional dos Missionários da Consolata, em São Paulo, onde recebia acompanhamento médico diante do progressivo debilitamento de sua saúde. Na noite de 7 de setembro, concluiu sua peregrinação terrestre e fez sua Páscoa definitiva.
Os testemunhos de quem caminhou com ele revelam diferentes dimensões de um mesmo homem: o missionário alegre e brincalhão, o formador próximo, o sacerdote acolhedor, o amigo fiel, o catequista apaixonado, o homem disponível e obediente.

Biografia elaborada pelo próprio Pe. Durvalino Condicelli em 2024
Padre Durvalino Condicelli nasceu em 10 de março de 1942, em São Manuel (SP). Ingressou nos Missionários da Consolata e fez sua profissão religiosa em 16 de fevereiro de 1967, em Aparecida de São Manuel. Foi ordenado sacerdote em 9 de dezembro de 1973, em São Manuel, juntamente com seu companheiro de seminário, Pe. Célio Dorneles, IMC.
Sua primeira destinação missionária foi a Paróquia Santa Luzia, em Manaus (AM), onde trabalhou de 1974 a 1976. Entre 1977 e 1982, exerceu o serviço de formador no Seminário São Francisco Xavier, em Rio do Oeste (SC). Em 1983, participou de um curso para religiosos no Rio de Janeiro.
Em 1984, foi vigário da Paróquia Santa Margarida e vice-formador da Filosofia, em Curitiba (PR). De 1985 a 1988, atuou como formador no Seminário Santa Teresinha, em São Manuel (SP). Em 1989, realizou um curso de Catequese em Roma, na Itália.
De volta ao Brasil, entre 1989 e 1990, foi vice-formador em São Manuel e animador missionário no Centro de Animação Missionária (CAM), na Pedra Branca, em São Paulo. Entre 1991 e 1993, exerceu o serviço de superior da Casa Regional dos Missionários da Consolata, em São Paulo.

De 1994 a 1996, retomou o trabalho de animação no CAM da Pedra Branca. Entre 1997 e 1999, atuou no CAM e foi diretor do Conselho Missionário Diocesano (COMIDI), em Cascavel (PR).
No ano 2000, realizou um curso de Missiologia no primeiro semestre e, no segundo, assumiu a formação no propedêutico em São Paulo. Entre 2001 e 2003, foi pároco da Paróquia Nossa Senhora Consolata, no Jardim São Bento, em São Paulo. Em 2004, exerceu novamente o serviço de formador no propedêutico, desta vez em Cascavel (PR).
Em 2005, foi vigário da Paróquia da Consolata, em Curitiba. De 2006 a 2008, exerceu o ministério de pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo, em Cascavel. Entre 2009 e 2011, foi pároco da Paróquia São Manuel, em sua cidade natal.
Nos anos de 2012 e 2013, regressou a Cascavel. De 2014 a 2016, dedicou-se à pastoral paroquial em São Manuel. Entre 2016 e 2021, exerceu o serviço de secretário regional dos Missionários da Consolata, em São Paulo.
A partir de 2021, retornou à pastoral paroquial em São Manuel, onde atuou como vigário até 2026. Faleceu na noite de 7 de setembro de 2026, na Casa Regional dos Missionários da Consolata, em São Paulo, aos 84 anos.

Segundo informações do Superior Regional, padre Paulo Mzé, o velório será realizado na Casa Regional e Paróquia Nossa Senhora Consolata, no Jardim São Bento, em São Paulo, entre os dias 8 e 9 de setembro. Em seguida, o corpo será trasladado para São Manuel (SP), onde continuará o velório; e a missa de exéquias e o funeral serão realizados na manhã de quinta-feira, 10 de setembro.
Ao longo de quase seis décadas de vida religiosa e mais de cinco décadas de ministério sacerdotal, Pe. Durvalino dedicou-se especialmente à formação, à animação missionária e vocacional e à pastoral, exercendo diferentes serviços conforme as necessidades do Instituto e da Igreja.
* Pe. Júlio Caldeira é missionário da Consolata na Amazônia colombiana e grande amigo do padre Durva.


