
O relato da paixão e morte de Jesus é um dos mais antigos escritos do Segundo Testamento. É o núcleo central do querigma cristão. Jesus é Messias, Filho de Deus que se fez carne, realizou sinais e prodígios, foi condenado e morto, e ressuscitou.
Por Jaime C. Patias *
Sua missão consistiu em realizar a vontade de Deus, amando a humanidade até o extremo. Seus posicionamentos não agradaram às instituições de poder. Foi perseguido, preso, julgado e condenado à morte. Injustamente, mataram o Justo (Evangelho Jo 18,1-19,42).
Em um jardim se desencadeia o processo da paixão de Jesus. Também num jardim ele será crucificado e sepultado. O jardim é lugar simbólico. Lembra o paraíso terrestre. Lugar de beleza e fecundidade.
Procuram Jesus à noite. As trevas, no Evangelho de João, têm um significado especial: em oposição à luz, simbolizam o mal. Pedro revela muita dificuldade de entender a proposta de Jesus. Jesus, porém, vai por outro caminho: a vitória da vida não se dá pelo confronto e pela violência, mas pela obediência ao amor a Deus e ao próximo, também aos inimigos.
Em sua missão, Jesus o Servo sofredor, assumiu a condição humana, foi incompreendido e desprezado, perseguido e condenado; “como cordeiro, foi levado ao matadouro”, porém, não usou de vingança nem de violência nenhuma. Carregou nossas dores e expiou nossas faltas. Foi obediente ao Pai até o fim e tornou-se “o caminho, a verdade e a vida”.
O caminho da “via sacra” até a morte de cruz é a síntese de todo o sofrimento humano assumido por Jesus como gesto de extrema solidariedade. Todos os crucificados deste mundo hoje ferido por tantos flagelos das guerras, da fome, violências, exploração, corrupção… estão contemplados na morte de Jesus. Todos são redimidos no seu amor e n’Ele encontram a esperança na vida e na transformação do mundo.
A cruz, para os cristãos, torna-se o caminho de seguimento de Jesus, da solidariedade com todos os que sofrem e completam o mistério da Paixão redentora do Senhor.
* Padre Jaime C. Patias, IMC, Secretariado para a Comunicação