São Pedro Claver: “escravo dos escravos” e Patrono dos defensores dos Direitos Humanos

Fotos: Jaime C. Patias

O Santuário de São Pedro Claver na cidade de Cartagena de Índias na Colômbia guarda em seu altar maior os restos mortais de São Pedro Claver, o “escravo dos escravos” e Patrono dos defensores dos Direitos Humanos, cuja memória celebramos neste dia 9 de setembro.

Por Jaime C. Patias *

Rezar nesse lugar diante de um grande Santo é uma experiência mística que nos conecta com a história da evangelização e da colonização da Abya Yala (América Latina). Fiz essa experiência por duas vezes. O Santuário localiza-se em frente à Praça da Aduana, em pleno setor histórico da cidade. Pertence à arquidiocese de Cartagena e ainda é administrado pelos Jesuítas. Atualmente vivem e trabalham na comunidade três padres e um estudante professo.

O templo faz parte de um conjunto de edifícios religiosos que se complementa com o Claustro de San Pedro Claver e o museu arqueológico. Foi construído entre 1580 e 1654, seguindo a arquitetura das construções coloniais. Originalmente foi conhecida como igreja de San Juan de Deus, a partir de 1622 se chamou igreja de San Inácio de Loyola, Fundador dos Jesuítas e na atualidade recebe o nome de São Pedro Claver.

A arquidiocese de Cartagena tem como arcebispo, Dom Francisco Múnera, IMC, missionário da Consolata colombiano que já foi bispo do Vicariato e depois criada Diocese de São Vicente na Amazônia da Colômbia. O arcebispo Emérito de Cartagena, Dom Jorge Enrique Jiménez Carvajal, C.J.M, foi criado Cardeal pelo Papa Francisco no dia 27 de agosto deste ano.

Biografia

Nasceu em Verdú, na Catalunha (Espanha), em 1580. Com 15 anos, o Bispo de Salsona conferiu-lhe a primeira tonsura e, aos 21 anos, entrou na Companhia de Jesus em Barcelona. Pedro era devo da Virgem Maria e um profundo adorador de Jesus Eucarístico. Após os estudos, foi ordenado sacerdote e enviado como missionário à Cartagena, porto da Colômbia, onde viveu seu apostolado entre os escravos por mais de quarenta anos.

Em Cartagena, Pedro Claver estava diante de um dos três portos negreiros da América Espanhola, onde, a cada ano, chegavam de 12 a 14 navios carregados de escravos.

Os escravos arrancados da África ficavam durante a viagem nos porões escuros do navio, que não tinham condições para abrigar seres humanos. Eram tratados com menos cuidado do que os animais selvagens, e por fim os que não morriam, eram vendidos.

Sem dúvida, o mercado dos escravos foi a página mais vergonhosa da colonização das Américas. Muitos missionários levantaram a voz contra esta desumanidade, mas sofriam perseguições e eram expulsos. O Papa proibiu repetidas vezes o comércio de escravos, mas a voz da Igreja não comovia a dureza dos comerciantes nem das autoridades.

Durante mais de quarenta anos, a vida de Pedro Claver foi servir àqueles escravos, cuidando deles, do físico ao espiritual. Claver fazia de tudo para evangelizar um por um. Por suas mãos passaram mais de trezentos mil escravos.

No dia 3 de abril de 1622, Pedro Claver acrescentou aos votos religiosos de sua profissão mais um voto: o de gastar a vida inteira ao serviço dos escravos. Testificando este voto, escreveu de próprio punho: “para sempre escravo dos negros”.

Vítima da caridade, acabou morrendo em 8 de setembro de 1654, com 74 anos de idade e 52 anos de vida religiosa, quando ao socorrer o Cristo excluído e chagado, pegou uma terrível peste.

Foi canonizado pelo papa Leão XIII em 1888. São Pedro Claver foi declarado pelo Papa Pio X especial patrono de todas as missões entre os negros. Em razão da solenidade mariana, sua festa foi transferida para 9 de setembro, um dia após a data em que se celebra a sua morte.

São Pedro Claver, rogai por nós!

* Padre Jaime C. Patias, IMC, Conselheiro Geral para América.

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