Recordar dos falecidos na esperança da Ressurreição

2 de novembro de 2020

Dai-lhes Senhor o descanso eterno. E que a luz perpétua os ilumine. Descansem em paz. Amém

Por Jaime C. Patias *

Visitando os cemitérios ou em casa recordamos hoje, 2 de novembro, os entes queridos que já partiram, (familiares, amigos, conhecidos) trazendo à memória seus nomes e rostos. Agradecemos a Deus por terem feito parte da nossa vida e fazemos memória do seu legado. Com saudades, depomos flores, acendemos uma vela e fazemos uma oração, elo de comunhão com Deus e com eles que agora intercedem por nós.

No momento em que o mundo enfrenta uma pandemia de Covid-19, refletimos sobre o mistério da vida e da morte, sobre a nossa missão de peregrinos neste mundo, Casa Comum. No Brasil, a CNBB convida a plantar uma árvore em memória dos entes falecidos. Esse gesto, além de evitar aglomerações nos cemitérios, contribui para o cuidado do Planeta diante da destruição ecológica decorrente das queimadas em algumas regiões do país. Tudo nos ensina a dar mais valor à vida.

Criados à imagem e semelhança de Deus, não pertencemos a este mundo. A nossa vida pertence a Deus: dele viemos, por Ele subsistimos e a Ele regressamos.

“Recordar os defuntos é tê-los próximo do nosso coração, conduzi-los ao coração, para recordar a nós próprios que a vida tem uma perspectiva diferente que vai além do espaço e do tempo. Não é por acaso que o dia que dedicamos à comemoração dos defuntos chegue após a festa de Todos os Santos, pessoas que viveram plenamente esta vida numa perspectiva que é mais que esta vida” (W. Lamberti).

“Eu sou a ressurreição e a vida”

O cristão ilumina o mistério da morte com a luz de Cristo Ressuscitado. Jesus afirmou à sua amiga Marta, desolada pela morte de seu irmão Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês isto?” (Jo 11, 25-26).

Em Cristo Ressuscitado, a morte ganha um sentido positivo. O Deus da Vida se revela aquele que ressuscita os mortos. Por isso acreditamos firmemente que, da mesma forma como ressuscitou Jesus, Deus nos ressuscitará também. Participamos na morte de Jesus, para participar de sua ressurreição. Fortalecidos nessa fé e esperança, enquanto peregrinamos no mundo passageiro, enfrentamos a dor, o sofrimento e a morte com coragem e dignidade.

Dai-lhes Senhor o descanso eterno. E que a luz perpétua os ilumine. Descansem em paz. Amém

* P. Jaime C. Patias, IMC, é Conselheiro Geral para América