Nova presidência da CEAMA expressa seu rosto amazônico e horizonte sinodal

Presidência da CEAMA 2026-2030 – Fotos: Comunicações CEAMA

Com a eleição do cardeal Leonardo Ulrich Steiner como presidente e uma equipe de vice-presidentes originários da região, a CEAMA inicia uma nova etapa (2026–2030) marcada pelo fortalecimento de uma Igreja com rosto amazônico e horizonte sinodal.

Por Julio Caldeira imc *

Eleita nos dias 18 e 19 de março de 2026, no âmbito da VI Assembleia Geral realizada em Bogotá, a nova presidência para o período 2026–2030 expressa com clareza o rosto de uma Igreja que caminha com os povos: bispos, presbíteros, leigos e leigas, líderes indígenas e vida consagrada, unidos na missão de anunciar o Evangelho e defender a Casa Comum.

“A Igreja na Amazônia é chamada a ser morada de Deus no meio dos povos, caminhando com eles e acolhendo seus sonhos”. Com estas palavras, o cardeal Leonardo Ulrich Steiner, novo presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), ilumina o horizonte de uma Igreja próxima, encarnada e profundamente sinodal.

Abre-se assim uma nova etapa para a CEAMA, que consolida um caminho no qual convergem vocações, ministérios e culturas a serviço da vida na Amazônia.

Presidente: um pastor com profundidade intelectual e sensibilidade pastoral

O cardeal Leonardo Ulrich Steiner, OFM, arcebispo de Manaus (Brasil), foi eleito presidente da CEAMA no âmbito da VI Assembleia Geral realizada em Bogotá. Com mais de 20 anos de presença e serviço em territórios amazônicos, seu ministério tem sido profundamente marcado pela proximidade com os povos, especialmente com comunidades indígenas e setores vulneráveis, promovendo uma Igreja comprometida com a vida, a justiça socioambiental e o cuidado da Casa Comum.

Franciscano, nascido em Santa Catarina, foi ordenado sacerdote em 1978. Realizou estudos de Filosofia e Teologia no Brasil e obteve mestrado e doutorado em Filosofia no Pontifício Ateneu Antoniano de Roma, onde também exerceu a função de secretário-geral. Seu perfil combina sólida formação acadêmica com profunda experiência pastoral. Durante anos foi formador de religiosos, acompanhando processos vocacionais e formando novas gerações na vida consagrada.

Como bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia (2005–2011), na Amazônia brasileira, viveu de perto uma Igreja comprometida com os povos indígenas e a defesa de seus direitos. Posteriormente, como secretário-geral da CNBB (2011–2019), desempenhou papel fundamental na articulação pastoral da Igreja no Brasil.

Desde 2019 é arcebispo de Manaus, no coração da Amazônia, onde consolidou uma presença pastoral próxima às realidades urbanas, ribeirinhas e indígenas. Em 2022 foi criado cardeal, reconhecimento ao seu testemunho de uma Igreja que escuta, dialoga e caminha com os povos. Sua eleição como presidente da CEAMA representa continuidade e aprofundamento do caminho sinodal, impulsionando uma Igreja profética, missionária e encarnada no território.

Vice-presidentes nascidos na Amazônia

Uma característica significativa desta nova presidência é que todos os vice-presidentes provêm da Amazônia e nasceram em seus territórios, levando consigo a memória, a cultura e a experiência viva de seus povos. Sua liderança não é apenas representativa, mas profundamente enraizada na vida cotidiana da região.

Marva Joy (Guiana)
Marva Joy Hawksworth, do povo Macuxi, nascida na região do Rupununi (Guiana), assume a vice-presidência em representação do laicato. Educadora por vocação, com formação em Ciências Sociais e ensino de inglês, desenvolveu sua missão em contextos rurais e indígenas, onde promoveu uma educação intercultural centrada na identidade, na língua e na cultura dos povos originários.

Seu trabalho pedagógico se caracteriza por integrar saberes ancestrais com metodologias contemporâneas, gerando processos educativos significativos e contextualizados. Participou de programas de educação bilíngue e da elaboração de materiais pedagógicos para a infância indígena. Recentemente concluiu um livro de histórias do povo Macuxi, contribuindo para a preservação da memória cultural. Sua liderança expressa a contribuição do laicato na construção de uma Igreja viva, próxima e comprometida com a realidade.

Juan Urañavi (Bolívia)
Representando os povos originários, Juan Urañavi nasceu no território de seu povo Guaraya (Bolívia) e está profundamente enraizado em sua cultura, dedicando sua vida ao serviço de seu povo e da Igreja, participando ativamente de processos de pastoral indígena, educação e organização comunitária. Possui formação em Filosofia, Teologia e Antropologia, o que lhe permitiu integrar a sabedoria ancestral com ferramentas acadêmicas para o fortalecimento dos povos.

Trabalhou também no âmbito estatal, especialmente no Ministério de Assuntos Indígenas da Bolívia, promovendo a gestão pública intercultural e a valorização da diversidade cultural. Sua presença na presidência da CEAMA é sinal de uma Igreja que reconhece, escuta e caminha com os povos indígenas como protagonistas de sua própria história.

Irmã Sonia Matos (Brasil)
A irmã Sonia Maria Pinho de Matos, nascida em Coari (Amazonas, Brasil), representa a vida consagrada. Membro da Congregação das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, desenvolveu grande parte de sua vida missionária na Amazônia, acompanhando comunidades ribeirinhas, urbanas e indígenas. Seu serviço foi marcado pela proximidade com as pessoas em contextos de vulnerabilidade, promovendo processos de escuta, formação e fortalecimento comunitário.

Trabalhou na pastoral social, na animação eclesial e na defesa da vida, articulando ações com diversos atores eclesiais e sociais. Sua experiência lhe permitiu adquirir um profundo conhecimento das realidades amazônicas. Sua presença na presidência destaca o papel fundamental da vida religiosa — e particularmente das mulheres consagradas — como presença profética e transformadora no território.

Padre Jesús Huamán (Peru)
O padre Jesús Huamán Conisilla, nascido em Quillabamba (Cusco, Peru), em contexto amazônico, representa os presbíteros. Ordenado em 1999, desenvolveu toda a sua vida ministerial no Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado, um dos territórios mais emblemáticos da Amazônia peruana. Serviu como formador no seminário, pároco e vigário pastoral em diversas comunidades, tanto rurais quanto urbanas, em áreas marcadas pela diversidade cultural, pela mobilidade humana e por desafios socioambientais.

Atualmente é pároco em Madre de Dios e coordenador da equipe de sinodalidade do Vicariato. Seu ministério se distingue pela proximidade concreta com as comunidades, promovendo processos de organização, formação e acompanhamento pastoral. Seu perfil reflete uma Igreja que se constrói a partir do território, com escuta, presença e compromisso com a dignidade humana.

Uma presidência que expressa a sinodalidade e o rosto amazônico da Igreja

A nova presidência da CEAMA para o período 2026–2030 é um sinal concreto de uma Igreja sinodal: diversa, participativa e profundamente enraizada no território. Não se trata apenas de uma estrutura, mas de uma experiência viva de comunhão onde cada vocação contribui a partir de sua identidade. O fato de que seus membros provenham da Amazônia reforça uma Igreja que não fala “sobre” o território, mas desde dentro dele, escutando, discernindo e caminhando junto com os povos.

A nova presidência da CEAMA é um sinal de esperança para a Igreja universal: uma Igreja com rosto amazônico, onde a liderança nasce do território e onde a missão se constrói em comunhão. Uma Igreja que, caminhando com os povos, acolhe o sonho de Deus e da Igreja, tornando-o vida concreta na Amazônia.


P. Julio Caldeira é missionário da Consolata na Amazônia colombiana. Vice-presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), é autor dos livros “Avancem para águas mais profundas” e “Igreja com rosto amazônico” em espanhol pela Editora CELAM (2025).

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