Nota de pesar: companheiros de luta em defesa dos direitos indígenas fazem sua passagem

O Cimi Regional Norte I homenageia Pe. Josiah K’okal, Jonia Terezinha Fank e Pe. Henry Dunn, companheiros que contribuíram com sua história e que fizeram sua travessia nos últimos dias

O Cimi Regional Norte I homenageia Pe Josiah K’okal, Jonia Terezinha Fank e Pe Henry Dunn, companheiros que contribuíram com sua história e que fizeram sua travessia nos últimos dias.Foto: OPAN/Revista Missiones/Ammo

“É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca”. Com a sabedoria de Dom Pedro Casaldáliga, o Cimi Regional Norte I, com pesar, inicia 2024 com o encanto dos companheiros Pe. Josiah K’okal, missionário da Consolata; Pe. Henry Dunn, da congregação Comboniano e Jonia Terezinha Fank. Todos contribuíram com a missão do Regional junto aos povos indígenas em diferentes períodos. Dedicaram suas vidas às vidas dos povos indígenas, convivendo conosco, integrando as equipes e sendo presença nos encontros, reuniões e assembleias, tanto em Roraima como no Amazonas.

Dedicamos uma breve memória de toda doação, entrega e compromisso junto aos povos Warao, Wapixana, Macuxi, Suruwahá e a tantos outros que foram acompanhados por esses três missionários.

“É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca”

A missionária Jonia Terezinha Fank fez a sua travessia no dia 26 de dezembro de 2023, em sua cidade natal, Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, após uma dura luta contra o câncer. Desde muito jovem foi engajada em movimentos sociais, em grupos de jovens e na Pastoral da Juventude. Chegou no Regional Norte I em 1990 por meio de convite de Gunter Kroemer e Teresinha Weber. No mesmo ano, após a primeira etapa de formação do Cimi, compôs a equipe Suruaha, juntamente com Mara Lúcia de Oliveira, Edinéia Porta e Mario Lucio.

Jonia teve importante contribuição na luta em defesa do território do povo Suruaha, bem como em levantamentos etnográficos e antropológicos, cujo o registro podem ser encontrados no capítulo “Outro olhar para os Povos Indígenas Isolados e de Pouco Contato” escrito junto com Teresinha Weber, compilado no livro “Novas reflexões Indigenistas” da Operação Amazônia Nativa (OPAN). Depois da sua experiência com os Suruaha em 1994, se engajou em outros trabalhos da OPAN, como na gestão da saúde indígena, por meio do convênio OPAN/FUNASA e na gerência financeira da entidade. No início dos anos 2000 trabalhou como secretária executiva no Fórum Popular Socioambiental do Mato Grosso. Jonia partiu na certeza de ter realizado o seu sonho: plantar sementes para um mundo mais justo e fraterno!

Jonia teve importante contribuição na luta em defesa do território do povo Suruaha, bem como em levantamentos etnográficos e antropológicos

Nosso companheiro Pe. Henry Dunn atuou no período de 2008 e 2014 na Pastoral Indigenista de Roraima, região do médio e baixo São Marcos e Murupu com os povos Macuxi e Wapixana. Foi coordenador da Pastoral Indigenista, atuando de forma dedicada e animada. Esteve à frente, enquanto pastoral, do registro das fichas de violência contra os povos indígenas e participou ativamente conosco dos encontros do regional. Sua presença alegre, sorriso largo e animado, foram suas marcas e, com elas, contagiava toda a equipe. Também tinha uma postura crítica e comprometida que, com seu sotaque espanhol, expressava sua força diante das vicissitudes. Pe. Henry nos deixa como testemunho e legado tudo isso somado a sua juventude e alegria pela vida.

Pe. Henry Dunn atuou no período de 2008 e 2014 na Pastoral Indigenista de Roraima, região do médio e baixo São Marcos e Murupu com os povos Macuxi e Wapixana

O Pai Sábio – Bare Mekoro – é como o povo Warao definiu Pe. Josiah K’okal, missionário da Consolata. Ele atuou mais de 20 anos junto aos Warao, no Delta Amacuro, na Venezuela e subsidiou a equipe Curiara da Pastoral Indigenista em diversos temas que foram imprescindíveis para o conhecimento étnico do povo Warao e as dinâmicas de deslocamentos que sofreram. Contribuiu com a formatação do curso de geração de renda e trabalho com os grupos do Warao Janoko (Cantá), Jakera Ine (Pintolândia ) e Jardim Floresta. Também contribuiu com organizações de direitos humanos, assessorando quanto ao processo histórico e migratório deste povo. Através de conversas e registros, Pe. Josiah ajudou na rede de apoio aos migrantes e refugiados da Diocese de Roraima, na formação da semana do migrante e diversas outras rodas de conversa e momentos de construção e fortalecimento de conhecimentos sobre os povos da região de fronteira. Recentemente concluiu sua dissertação de mestrado, que é uma experiência grandiosa para todos nós. Sua alegria, entusiasmo, compromisso, nos deixa a lembrança de uma pessoa entusiasta.

Pe. Josiah atuou mais de 20 anos junto aos Warao, no Delta Amacuro, na Venezuela e subsidiou a equipe Curiara da Pastoral Indigenista

Desses três companheiros que foram semeados ficamos de coração apertado, mas seguimos com seu testemunho e convivência fraterna, certos de que, com seus legados, continuaremos construindo as sementes de esperança e resistência junto aos povos indígenas.

11 de janeiro de 2024

Cimi Regional Norte I, Amazonas e Roraima

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