Moçambique: Uma Igreja sinodal e autossustenável apela à reconciliação e à esperança

Inauguração da nova diocese, a de Alto Molocué, e sagração episcopal do seu primeiro bispo, dom Estêvão Ângelo Fernando. Fotos: CEM

A sessão da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), realizada em Gurúè, de 30 de abril a 9 de maio, foi marcada por acontecimentos importantes.

Por Francisco Valente Fumo *

Durante a missa de acção de graças pelo jubileu de ouro episcopal de dom Januário Machaze Nhangumbe, bispo emérito de Pemba, o senhor Núncio Apostólica em Moçambique, dom Luis-Miguel Muñoz Cárdaba, anunciou solenemente que a Igreja já tinha um novo Vigário de Cristo, o Papa Leão XIV. Terminada a sessão plenária, todos os bispos da CEM participaram na inauguração da nova diocese, a de Alto Molocué, e sagração episcopal do seu primeiro bispo, dom Estêvão Ângelo Fernando. Mas também, foi uma plenária marcada pela produção de três documentos importantes que apresentamos a seguir em breves linhas.

Bispos de Moçambique reunidos na cidade de Guruè, Província da Zambézia
Autossustentabilidade

A preocupação pela autossustentabilidade está no âmago da Igreja em África, particularmente a CEM, tem buscado caminhos para a sua efetivação de diversos modos. As assembleias pastorais, especialmente a última que teve a sua fase celebrativa em Nampula de 17 a 21 de Maio de 2023, sublinharam que não é possível uma Igreja enraizada sem a autossustentabilidade em termos de pessoal, estruturas eclesiais e meios materiais.

A Nota Pastoral sobre a autossustentabilidade da Igreja Católica em Moçambique, publicada no final da Assembleia da CEM, demonstra que, não obstante o crescimento do clero e dos religiosos nativos, a missão evangelizadora, social e pastoral debate-se com a exiguidade de estruturas eclesiais e meios materiais. Esta situação compromete a desejada consolidação da Igreja nesta parcela do continente Africano.

Por um lado, este documento é um convite a todas as forças vivas desta Igreja a reflectirem e a agir em favor de uma Igreja autossustentável e fiel à sua missão, a serem responsáveis pela sua vitalidade espiritual e material. Por outro lado, constitui uma exortação a pautar pelos princípios da corresponsabilidade, transparência e cuidado com a criação na administração e gestão dos bens da Igreja. Por isso, a Nota Pastoral em causa aponta também caminhos para uma Igreja sustentável e elementos concretos pelos quais o Povo de Deus pode participar.

Sinodalidade

A IV Assembleia Pastoral que se realizou contemporaneamente com o Sínodo sobre a Sinodalidade, expressou o desejo de uma pastoral sinodal. Como consequência disso a CEM publica o Plano Pastoral, para os anos 2025 – 2030. Este plano fundamenta-se na sacramentalidade da Igreja, que deve planear a sua acção pastoral para crescer na unidade e eficácia. Ele se compõe de três eixos que são: A Igreja sinodal e missionária anuncia e testemunha Jesus Cristo, Palavra de Deus; Promoção de uma sociedade mais fraterna e inclusiva e; Fortalecer a sustentabilidade econômica da missão. Cada um destes eixos contém seus objectivos e acções, que manifestam uma pastoral sinodal.

Reconciliação e esperança

Este ano de 2025 é duplamente celebrativo para a Igreja Católica em Moçambique. Recordamos o Jubileu de Nascimento do Nosso Senhor, mas também se comemoram os 50 anos da Independência do País. Neste contexto, a CEM entende que a celebração do jubileu de ouro é um momento impar não só para lembrar o passado, mas constituir o início de uma nova era sobre os alicerces da fraternidade e da paz.

Este conteúdo está vertido na Nota Pastoral sobre a Reconciliação e a Esperança: Caminho para a Paz e a Unidade. Para os bispos Católicos de Moçambique, a reconciliação não é apenas uma ideia, mas um trabalho contínuo, construído nas pequenas acções de cada de um nós, na esteira da escuta, do perdão e da verdade. Estes últimos elementos são imprescindíveis para sarar as feridas, que muitos moçambicanos trazem do passado e do presente, e restaurar a dignidade humana. Em particular, os jovens serão protagonistas e promotores da esperança e da renovação. Ademais, no caminho da reconciliação, a educação ocupa um lugar central, posto que esta dá o seu contributo para a construção da justiça, paz e reconciliação.

* Padre Francisco Valente Fumo, diretor do Secretariado da CEM.

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