
Dom Osório Citora Afonso, 54 anos, missionário da Consolata, bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese de Beira em Moçambique, foi encontrado morto na residência Episcopal este sábado, 6 de junho 2026.
Por Jaime C. Patias *
Neste vídeo divulgado nas redes sociais, Dom Osório Afonso em visita pastoral ontem retira as sandálias para dialogar sentado com os muçulmanos. Ele comentava sobre a última Nota Pastoral da Conferência Episcopal de Moçambique publicada em 13 de maio de 2026, na qual os bispos exigiam o fim da violência em Cabo Delgado, alertando para o extremismo e a violência que afetam a região, de modo particular contra as comunidades cristãs.
Transcrevemos a fala de Dom Osório no video.
“Nesta carta, nós evocamos o passado. Desde o passado em Moçambique nunca houve conflito por causa da religião. Nunca ouvimos dizer que um muçulmano matou o outro. Nós vivíamos juntos. Não é assim? Mas hoje ouvimos outras coisas, não ouvimos? Não ouvimos dizer que em nome da religião estão nos matando? Estamos contentes com isso? Não estamos contentes. Porque nós na nossa cultura africana ou moçambicana, nós vivíamos juntos. Vamos ao mercado juntos, vamos ao hospital juntos, mas quando chega a hora da oração cada pessoa vai no seu lugar da oração.
Então, que a religião não nos divida, meus irmãos. Estou a pedir, nunca podemos aceitar que a religião possa nos dividir, mas que a religião possa nos unir. Não é assim? Então vocês rezam e nós também rezamos. Este é o sentido da minha visita. Eu disse assim: os meus irmãos lá, vivem com os muçulmanos. Não há o mercado somente para os muçulmanos, o mercado é para católicos, cristãos e muçulmanos. Não é assim? O hospital é para todos juntos. Então eu disso, vou para lá falar com eles, saudar e dizer que eu quero que vocês rezem por mim e eu também rezo por vocês.
E todos nós vamos rezar pela paz em Moçambique, vamos rezar pelo bem estar em Moçambique, vamos rezar para que haja justiça em Moçambique. Portanto, esta é a razão da minha visita aqui. E ao tirar as sandálias recordei, portanto, que o nosso Deus nos pede a humildade, nos pede reconhecermos que todos somos irmãos” (Dom Osório Citora Afonso, IMC)
* Redação


