A importância da Pastoral Afro na Igreja Católica

10 de junho de 2020

“Os povos afro-americanos e caribenhos estão emergindo como novos sujeitos na Igreja e na sociedade, e precisam urgentemente do nosso acompanhamento diante das ameaças à sua existência física, cultural e espiritual” (DA 90-91).

Por Diana Benitez

Dentro da Igreja Católica, a ação evangelizadora, que chamamos pastoral, começa a assumir um rosto próprio de acordo com as necessidades e as especificidades de cada rebanho. Entre essas, a Pastoral Afro nasce como resposta à necessidade de fazer um acompanhamento especializado ao caminho de fé das comunidades eclesiais de rosto negro.

O caminho da igreja

É verdade que a Igreja tem uma dívida histórica com a população afrodescendente, pois nem sempre apoiou as comunidades tradicionais negras em seu projeto de liberdade, dignidade, terra, autonomia e participação, especialmente durante o período Colonial. Por outro lado, em vários momentos e lugares a Igreja esteve no meio de homens e mulheres negros desde a sua chegada como escravos na América, com gestos de solidariedade humana e gerando autênticos defensores dos escravos e combatentes inabaláveis contra o sistema.

No século XIX, o Papa Gregório XVI com a bula “In Supremis” (1839), na linha de alguns de seus ilustres antecessores, condenou todas as formas de escravidão. No século XX, a luta dos cristãos e da hierarquia contra todas as formas de escravidão continuou, um fardo do qual a humanidade ainda não foi completamente liberada.

A Pastoral afro na igreja

A Pastoral Afro está inserida nesta corrente de luta pela vida, é a herdeira dos leigos, religiosos e religiosas, sacerdotes, bispos e papas que, fiéis ao Evangelho, se solidarizaram com os últimos, os mais abandonados e indefesos. O Concílio Vaticano II (1962-1965) abriu as portas e janelas da Igreja e, entre outras coisas, afirmou os direitos humanos, valorizou as culturas e a religiosidade, e as religiões dos povos. Também apelou à inculturação do Evangelho e fomentou a criatividade na ação evangelizadora dos cristãos.

Em todo este processo, o elemento cultural desempenha um papel muito importante, pois para promover a Pastoral Afro é fundamental conhecer a sua cultura e compreender a espiritualidade e o estilo de vida afro. A cultura engloba toda a atividade da humanidade: sua história, sua inteligência, sua afetividade, sua busca de sentido, sua relação com a natureza, seus costumes, sua visão de vida e morte, seus recursos éticos e, sobretudo, a busca do ser supremo. O coração de toda cultura é constituído pela sua aproximação ao maior dos mistérios: “o mistério de Deus”.

Aparecida

Os bispos reunidos em Aparecida em 2007 propuseram que na sua missão evangelizadora a Igreja promovesse “o diálogo entre a cultura negra e a fé cristã e as suas lutas pela justiça social”, escutando o chamado “a ser levado em conta no catolicismo com a sua particular cosmovisão, valores e identidades” (DA 91) e a libertação integral.

A Pastoral Afro, então, é um campo que quer se integrar, trazer à tona a riqueza de uma cultura a serviço do Evangelho. É uma pastoral que se aplica a situações concretas. Seu desafio é descobrir que da mesma forma que não é possível separar a cultura da fé, também não é possível separar a cultura dos povos. Trabalhar a partir da cultura afro significa deixar-se atravessar pela sua realidade, trabalhar a partir da consciência afro e tornar-se participante na sua busca de Deus através do respeito pelos seus direitos, justiça e equidade entre todos como filhos e filhas de Deus.

Diana Benitez é Leiga Missionária da Consolata (LMC).

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