
Em menos de cem anos, o Quênia passou de “território de missão” a um país que envia missionários pelo mundo.
Por Fernando Altemeyer *
Com uma superfície de 580.367 quilômetros quadrados, o Quênia faz fronteiras com Etiópia, Uganda, Somália, Sudão e Tanzânia. Em todo o seu território se falam 63 idiomas locais, sendo predominante o swahili e o inglês. Sua capital é Nairobi, com três milhões de habitantes.
O país é um grande produtor de chá, café e cana de açúcar. Possui minas de ferro e ouro. A taxa de fecundidade é de 3,43 filhos por mulher. A expectativa de vida é de 48 anos.

Atualmente são 53.114.000 habitantes, dos quais 15.243.718 católicos, ou seja, 28,7% da população, segundo as estatísticas publicadas pela Santa Sé. A população urbana representa 40% dos habitantes.
Dados Eclesiais
Há 26 circunscrições eclesiásticas, sendo quatro arquidioceses, 20 dioceses, um ordinariato militar e um vicariato apostólico. O episcopado conta com 33 bispos: um cardeal arcebispo emérito, um núncio apostólico, cinco arcebispos, 19 bispos diocesanos, um bispo auxiliar e seis bispos eméritos. Atualmente estão vacantes as dioceses de Bungoma, Ordinariato militar, Lodwar e a arquidiocese de Nairobi.
A organização pastoral se faz por meio de 879 paróquias, 1779 centros de atendimento pastoral. Ministros do povo de Deus: 2.492 sacerdotes (1.655 padres do clero secular e 837 membros do clero religioso), 5 diáconos permanentes, 697 irmãos, um membro de instituto secular, 452 missionários leigos, 1.569 seminaristas maiores, 4.821 religiosas consagradas e 11.785 catequistas.
Os irmãos protestantes e anglicanos somam 55,8%, os sem religião 2,3%, os muçulmanos 10,5% e os que praticam religiões tradicionais 1,5%.
Curiosidades
Os portugueses iniciaram a exploração colonial em 1498. Os ingleses impuseram massacres imensos para manter sua dominação imperialista. A evangelização católica começa com os Missionários do Espírito Santo em 1889, depois de 40 anos da presença dos missionários protestantes no país (desde 1844). Naqueles primórdios havia a Prefeitura Apostólica de Zanzibar erigida em 26 de fevereiro de 1860 que agia na região.

A hierarquia católica foi estabelecida em 1953 pelo papa Pio XII. O papa São João Paulo II visitou o país em três oportunidades: maio de 1980, agosto de 1985 e setembro de 1995. O Papa Francisco visitou o país em novembro de 2015.
Padroeiros: Sagrada Família, Nossa Senhora da Consolata e São José.
Cardeais:
- Maurice Otunga (1923+2003), arcebispo emérito de Nairobi, criado cardeal pelo papa São Paulo VI em 05/03/1973. Falecido.
- John Njue, Arcebispo emérito de Nairobi, nascido em 1944, com atuais 77 anos. Criado cardeal pelo papa Bento XVI em 24/11/2007. Cardeal eleitor.
Nenhum bispo presente ao Concílio Vaticano I de 08/12/1869 a 20/10/1870:
Bispos presentes ao Concílio Vaticano II de 1962 a 1965. Hoje falecidos.
- Caesar Gatimu †, Bispo de Nyeri; Idade: 44.3
- Charles (Carlo) Maria Cavallera, I.M.C. †, Bispo de Marsabit; Idade: 56.7
- Colin Cameron Davies, M.H.M., Prefeito de Ngong; ligado diretamente ao Vaticano; Cúria Romana; Idade: 41.3
- Eugene Joseph Butler, C.S.Sp. †, Bispo de Mombasa; Idade: 64.9
- Frederick Hall, M.H.M. †, Bispo Emérito de Kisumu; Idade: 62.8
- Guido Del Mestri †, Arcebispo Titular de Tuscamia; Delegado Apostólico do Quenia, Cúria Romana; Idade: 54.7
- Joannes de Reeper, M.H.M. †, Bispo de Kisumu; Idade: 62.8
- John Joseph McCarthy, C.S.Sp. †, Arcebispo de Nairobi; Idade: 69.4
- Joseph Brendan Houlihan, S.P.S. †, Bispo de Eldoret; Idade: 54.0
- Lorenzo Bessone, I.M.C. †, Bispo de Meru; Idade: 61.1
- Maurice Michael Otunga †, Bispo de Kisii; Idade: 40.7
- William Dunne, S.P.S. †, Bispo de Kitui; Idade: 45.3
Missionários da Consolata
O Instituto Missões Consolata iniciou sua atividade missionária no Quênia, um ano após a fundação da congregação em Turim, Itália, pelo bem-aventurado José Allamano. Os primeiros missionários partiram de Turim em 8 de maio de 1902 para o Vicariato de Zanguebar, no Norte do Kenia. O território confiado “ad experimentum” ao novo Instituto era a região de Kikuyu. As Irmãs Missionárias da Consolata, fundadas em 1910, chegaram ao Quênia em 1912. Nessas terras, a bem-aventurada Irene Stefani, missionária da Consolata conhecida como “Mãe da Misericórdia”, viveu, morreu e está sepultada no país.
A partir de sua experiência missionária na missão de Tuthu de 29 de fevereiro a 3 de março de 1904, os primeiros missionários que chegaram ao Quênia desenvolveram o método de evangelização “Consolata”, que deu frutos abundantes na África.
Em poucos anos, a região, separada do Vicariato de Zanguebar, tornou-se a Missão do Quênia: Missão do Quênia em 12 de setembro de 1905; Vicariato Apostólico do Quênia em 12 de julho de 1909; Diocese de Nyeri em 25 de março de 1953.
Deste território, as Circunscrições Eclesiásticas de: Meru em 10 de março de 1926; Marsabit em 25 de novembro de 1964; Garissa em 9 de dezembro de 1976; Murang’a em 17 de março de 1983; Embu em 28 de junho de 1986; Isiolo em 15 de dezembro de 1995; Malindi em 24 de junho de 2000; Maralalal em 19 de junho de 2001; Nyahururu em 4 de janeiro de 2003.
Em menos de cem anos, o Quênia passou de “território de missão” a um país que envia missionários para o mundo. Atualmente existem cerca de 250 missionários da Consolata queniana, incluindo bispos, sacerdotes, irmãos e professos, presentes em quatro continentes.
Respondendo aos desafios do tempo presente, os Missionários da Consolata são desafiados a realizar um projeto missionário adaptado à realidade sócio-pastoral de cada continente de hoje. Em memória e profecia.
* Perfil da Igreja Católica da República do Quênia – Jamburi ya Kenya. Pesquisa para o Portal da Consolata preparada pelo Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior – Chefe do departamento de Ciências Sociais da PUC-SP. Email: fajr@pucsp.br
Fontes da pesquisa: www.vatican.va; http://www.catholic-hierarchy.org/country; http://cardinals.fiu.edu/1873-2019-country.htm; https://secam.org/