A Igreja Católica em São Tomé e Príncipe

Missa conclusiva da Jornada Diocesana da Juventude 2021 – Fonte: VaticanNews

As duas ilhas, situadas no golfo da Guiné, tem uma diocese, 14 paróquias e 37 centros de pastoral.

Por Fernando Altemeyer *

Com uma superfície de 1.001 quilômetros quadrados nas duas ilhas situadas no Golfo da Guiné, São Tomé e Príncipe tem uma população de 213.827 habitantes, dos quais 140.069 católicos, ou seja, 65,8% da população, segundo as estatísticas publicadas pela Santa Sé.

Fala-se português, forro, crioulo cabo-verdiano (8,5%), angolar (6,6%) e lunguié (1%). O francês (6,8%) e inglês (4,9%), que são ensinados nas escolas. Sua taxa de fecundidade é de 3,82 filhos por mulher e a expectativa de vida é de 65 anos. Uma das questões humanitárias graves foi o avanço dramático do HIV entre a população.  

Dados Eclesiais

Em São Tomé e Príncipe há só uma diocese. O episcopado conta com três bispos. Um bispo na ativa, um emérito e o núncio apostólico residindo em Angola.

A organização pastoral se faz por meio de 14 paróquias e 37 centros de atendimento pastoral. Ministros do povo de Deus: treze sacerdotes (cinco padres do clero secular e oito membros do clero religioso ou regular), oito seminaristas, nove irmãos, quatro membros de institutos seculares, 31 religiosas consagradas e 545 catequistas.

Outras denominações religiosas: Protestantes, anglicanos e pentecostais 13%, Nova Igreja apostólica 2,4%, crenças tradicionais 3,1%, sem religião 13,2% e pequenas minorias 2.5%.

História e curiosidades

A Ilha de São Tomé foi colonizada por João de Santarém e Pero de Escobar, no dia do Apóstolo São Tomé, 21 de Dezembro no calendário litúrgico antigo, de 1470. No dia 17 de Janeiro de 1471, terão chegado à Ilha do Príncipe, a que deram o nome de Santo Antão.

O povoamento da Ilha de São Tomé teve início efetivo com Álvaro de Caminha, em 1493. Em 1500, a capitania da Ilha passou para Fernando de Melo, que incentiva a criação de estruturas eclesiásticas. Quatro anos depois, já estava ereta a primeira freguesia em território são-tomense, com o título de Nossa Senhora da Graça. O culto e pastoreio foi entregue aos missionários Eremitas de Santo Agostinho ou Cônegos de Santo Elói. As ilhas ficaram sob a jurisdição do vigário de Tomar nullius dioecesis, até à criação da diocese do Funchal, em 1514.

Livro dos 485 anos da evangelização em São Tomé e Príncipe, 2019 – Foto: Diocese STP

Por pedido de Dom João III, o papa Clemente VII decidiu erigir as dioceses de São Miguel dos Açores (atual Angra do Heroísmo), Santiago de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Goa. Não expediu as respectivas bulas por ter falecido. Com a eleição do Papa Paulo III, o rei conseguiu a ereção de uma diocese em São Tomé.

A mesma foi criada pela bula Aequum reputamus, de três de Novembro de 1534, e abrangia a ilha do mesmo nome, a do Príncipe (então denominada Santo Antão), Fernando Pó, Ano Bom, Santa Helena e a costa de África, desde o Cabo das Palmas (atual Libéria), até ao Cabo das Agulhas (África do Sul, lugar onde se encontram as águas do Atlântico e do Índico), passando pelo Cabo da Boa Esperança. Foi entreposto de venda e tráfico de escravos como a mais cruel das ofensas aos povos da África.

A nova Diocese ficou sufragânea, sucessivamente, das Dioceses do Funchal, Lisboa, São Salvador da Bahia (Brasil), de Lisboa (por uma segunda vez) e, por último, a partir de 1940, da Arquidiocese de Luanda. A diocese foi governada por Vigários Gerais até que, em 1940, o arcebispo de Luanda foi nomeado cumulativamente bispo de São Tomé. De 1966 até 1984, a Diocese de São Tomé foi governada por Administradores Apostólicos, tendo sido eles D. Manuel Nunes Gabriel (1966-1980) e Mons. João de Freitas Alves, cmf (1980-1984).

Com o falecimento repentino do último Administrador Apostólico, a Diocese foi confiada a um Administrador Diocesano, Pe. Alberto Rosado Fileno, cmf, até que, em 21 de Dezembro de 1984, a sede foi provida por novo Bispo residencial, na pessoa de D. Abílio Rodas Ribas.

Os principais evangelizadores das Ilhas de São Tomé e Príncipe foram os Agostinhos, os Franciscanos, os Carmelitas, os Capuchinhos, os membros da Sociedade Missionária Portuguesa e os Missionários Claretianos. Os sacerdotes autóctones foram bastante numerosos na primeira metade do século XIX: tratava-se de sacerdotes formados no Brasil, filhos de são-tomenses que, na altura da independência (1822), não quiseram perder a sua nacionalidade. Conquistou sua independência em 12 de julho de 1975. O papa São João Paulo II visitou o país em junho de 1992.

Abril, mês da cultura em São Tomé – Foto: Arquivo VaticanNews

Patrono: 

S. Tomé Apóstolo – Celebrado a 21 de dezembro por concessão da Santa Sé Apostólica.

Sé Catedral:

Nossa Senhora da Graça – Celebrada a 25 de março.

Nenhum cardeal criado para Santo Tomé e Príncipe.  

Nenhum bispo de São Tomé e Príncipe presente ao Concílio Vaticano I de 08/12/1869 a 20/10/1870.

Bispo participante ao Concílio Vaticano II:

Moisés Alves de Pinho, C.S.Sp. †, nascido em Portugal, arcebispo de Luanda, Angola; e que exercia o cargo de bispo de Santo Tomé e Príncipe, Idade: 82.2

Perfil da Igreja Católica da República de São Tomé e Príncipe. Pesquisa preparada para o Portal da Consolata pelo Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior – Departamento de Ciências Sociais da PUC-SP.  fajr@pucsp.br  

Fontes da pesquisa: www.vatican.va; http://www.catholic-hierarchy.org/country; http://cardinals.fiu.edu/1873-2019-country.htmhttps://secam.org/

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