A Festa do Batismo do Senhor e a missão da Igreja

10 de janeiro de 2021
Tags: ,

Com a Festa do Batismo do Senhor concluímos as celebrações natalinas. Esta celebração recorda o início da missão de Jesus que é também a missão da Igreja no mundo.

Por Jaime C. Patias *

O Batismo representa uma guinada na vida do Filho de Deus. Assim como a sua vida terrena começa por meio do Espírito, por meio do mesmo Espírito começa também, a sua vida apostólica, a sua missão. O centro da passagem do Evangelho é a voz que diz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer” (Mc 1, 7-11). Palavras que atestam a relação de Jesus com o Pai e que recordam a figura do “servo sofredor” em Isaías. “Eis o meu Servo a quem sustenho, o meu eleito, em quem tenho toda a alegria” (Is 42,1). Desde a sua perda no Templo, Jesus reafirma essa sua relação peculiar onde toda a sua missão tem por finalidade “cumprir a vontade do Pai”.

Sabemos que o Batismo inaugura o início da missão do Filho de Deus que percorre todo o território de Israel. A voz do Pai é um ponto de partida. O Batismo representa uma mudança na vida de Jesus que deixa a sua vida oculta e se abre à missão: de agora em diante Jesus será o profeta conhecido de todo o povo. Luz para todas as nações.

Às margens do rio Jordão onde é batizado por João Batista, não está presente somente o povo de Israel, mas toda a humanidade representada por seus povos e culturas. Todos são chamados a reconhecerem aquele que é maior do que João Batista. Deus verdadeiro e Homem verdadeiro que para cumprir a sua missão redentora aceita tomar sobre si o mal da humanidade, antecipando com o seu Batismo o mistério da sua paixão.

Ao celebrarmos a Festa do Batismo de Jesus, recordamos o nosso Batismo no qual também fomos “mergulhados” no projeto de Deus como seus verdadeiros filhos e filhas regenerados, salvos gratuitamente. Batismo significa “imersão”, mergulhar na vida de Deus.

Assim como o Batismo de Jesus marca o início da sua missão de anunciar a Boa Nova do Reino de Deus, ao recordar o nosso Batismo, como povo de Deus, renovamos a nossa missão de sermos sal da terra, luz do mundo e fermento na massa. Fieis a Jesus Cristo, nos colocamos a serviço do Reino de Deus. Eis a nossa vocação de batizados e batizadas no mesmo Batismo do Senhor.

A “saída” de Jesus da vida oculta para a missão recorda a nossa missão na Igreja “em saída” que não fica somente “celebrando a fé dentro do templo”, mas que é capaz de sair para testemunhá-la nos caminhos da vida.

A pandemia nos desafia

Com a pandemia de Covid-19 que está provocando sofrimento e perdas de vidas, muitos templos estão fechados, e isso preocupa. Ao mesmo tempo, esse isolamento social necessário para cuidar e salvar vidas, pode se transformar em uma oportunidade para testemunhar a fé do Batismo entre as pessoas mais próximas de nós. As restrições impostas com responsabilidade nos ajudam a não ficarmos somente na “fé professada e celebrada” nas liturgias do templo onde, como comunidade nos alimentamos da Palavra e da Eucaristia, mas nos permitem valorizar também, a “fé testemunhada” em missão no mundo, começando em nossa casa.

O Papa Francisco afirma: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Por isso ela sabe ir à frente, tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo inesgotável de oferecer misericórdia” (EG 49).

A Igreja exprime-se e exprime a realidade da fé que a gera. Uma Igreja “em saída” exige “prudência e audácia”, “coragem e ousadia”.

* Padre Jaime C. Patias, IMC, Conselheiro Geral para América.

Conteúdo Relacionado