
Padre Matteo Pettinari fala sobre o compromisso dos missionários da Consolata na Costa do Marfim, país na savana da África. Na região, a maioria da população não é cristã e a Igreja é sinal da presença de Deus entre os pequenos.
Por Cristina Uguccioni *
O cristianismo começou a sua história assim: com pequenas comunidades, vulneráveis e imperfeitas que, fundamentadas na Eucaristia, sustentadas pelo Senhor a quem se confiavam – transmitiram a alegria da presença de Deus, cuidando e acolhendo-se mutuamente interessando-se pela vida daqueles que encontravam no caminho. Assim tem sido a história do cristianismo e ainda é hoje na savana as África.
No norte da Costa do Marfim existe uma missão composta por duas paróquias (nas cidades de Dian-ra e Dianra Village) e um centro pastoral (em Sononzo): fundada em 2001 pelos missionários da Consolata, o território da missão cobre uma área de 3.009 quilômetros quadrados e é habitado por cerca de 100 mil pessoas, 3% das quais são católicos, 7% cristãos. A maioria da população é muçulmana ou seguidora da religião tradicional.

Todos experimentaram sofrimentos e privações devido a um conflito que durou quase dez anos: o norte da Costa do Marfim permaneceu nas mãos dos rebeldes de 2002 a 2011 e durante todo este tempo houve falta de funcionários do Estado, incluindo médicos e professores.
“Aqui as pessoas vivem em condições de grande pobreza, a desnutrição infantil é generalizada, a taxa de analfabetismo é a mais elevada do país e a taxa de mortalidade materna e neonatal é também muito alta”, diz o Padre Matteo Pettinari, 39 anos de idade, missionário da Consolata, que tem liderado a missão desde 2011 juntamente com dois colegas de congregação, os padres Ariel Tosoni e Raphael Ndirangu. Ele é pároco na aldeia de Dianra Village e administrador do centro de saúde José Allamano.
Assista ao testemunho do Padre Ariel Tosoni (Costa de Marfim)
Esta estrutura usada pelos habitantes (dez mil) de 11 aldeias tem um dispensário, farmácia, laboratório de análises, consultório dentário, maternidade, centro de diagnóstico e tratamento da tuberculose e centro nutricional. Nas cinco maiores aldeias da região, os missionários também construíram e administram algumas “casas de saúde” com pessoal de saúde qualificado. Nestes centros as mulheres gestantes são acompanhadas e as crianças são vacinadas, visitadas e pesadas. As mães dos bebês que mostram sinais de desnutrição recebem refeições altamente nutritivas preparadas com alimentos locais; além disso, nas reuniões regulares são explicados os princípios da nutrição correta.

Nesta região do país, 81% da população é analfabeta, razão pela qual alguns centros de alfabetização foram criados para oferecer aulas noturnas. “Para nós a maior dificuldade tem sido fazer as pessoas que nunca sentiram a necessidade de aprender a ler e a escrever, compreenderem a importância dessa exigência”, afirma o Padre Matteo. “Fizemos um longo e paciente trabalho de persuasão e os resultados são encorajadores: temos um bom número de estudantes e recentemente um aluno se matriculou na escola secundária: estamos orgulhosos disso”.
Em 2005, os missionários também promoveram um projeto de microcrédito para as mulheres: atualmente duzentas delas conseguiram abrir pequenas negócios e começaram a seguir os encontros dedicados à saúde, à educação dos seus filhos e à economia doméstica.
“O pessoal envolvido nas nossas atividades não são apenas católicos e cristãos de outras denominações: há também muçulmanos e seguidores da religião tradicional”, continua o Padre. “Acreditamos que é importante envolver toda a população e promover o diálogo inter-religioso que, neste contexto social, é essencialmente o diálogo da vida, ou seja, a proximidade, a compreensão serena que une pessoas de diferentes credos na vida quotidiana e no trabalho. Naturalmente nós padres nos dedicamos ao anúncio, à catequese, à administração dos sacramentos e ao acompanhamento daqueles que pedem para seguir um caminho de fé”.

Nesse território, a evangelização começou em 1983 e os primeiros missionários começaram a viver permanentemente no local apenas em 2001. Os católicos são um grupo jovem e pequeno, mas estão a crescer lentamente: todos os anos são celebrados uma média de 60 batismos. “É comovente ver o espanto das mulheres e dos homens que começam a conhecer Jesus, é emocionante ver a ação do Senhor no coração das pessoas que se sentem curadas e libertadas de muitos medos”, testemunho o Padre Mateus, e complementa:
“Os meus dois colegas e eu temos tarefas específicas, mas conduzimos a missão juntos, testemunhando a fraternidade que nos une. Acreditamos que na evangelização é importante mostrar esta comunhão. Não posso agradecer suficientemente ao Senhor pela experiência que estou vivendo neste país: isso me dá a possibilidade de proclamar e viver o Evangelho caminhando com este povo.

Testemunhando Jesus, estou cada vez mais envolvido e conquistado. Além disso, vivendo em um contexto predominantemente não cristão, compreendo e saboreio a diferença cristã de uma forma especial aumentando o desejo de a transmitir e partilhar”.
É a felicidade da pequena semente da fé incorpora no dinamismo do amor de Deus por todos os seus filhos e filhas que esperam sinais da sua presença.
Trabalham na Costa do Marfim, 16 padres da Consolata em três dioceses: Abidjan, Odienné e San Pedro.
* Cristina Uguccioni é jornalista e escritora. Artigo publicado em italiano no www.osservatoreromano.va. Tradução: Jaime C. Patias, IMC.