Visita Canônica em Manaus, Boa Vista e Comunidades Indígenas

Padre James Lengarin e padre Michelangelo Piovano na comunidade Maturuca na TIRSS, em Roraima. Fotos: IMC Brasil.

A Visita Canônica aos missionários da Consolata no Brasil prosseguiu desde o início de maio, na Amazônia, em Manaus e no estado de Roraima. Em Manaus, encontramos os padres Olivaldo Lima e Arlei Pivetta, que atuam na paróquia Santa Luzia na periferia da cidade.

Por Michelangelo Piovano *

Celebramos a missa dominical com os paroquianos e, logo em seguida, desfrutamos de um momento maravilhoso com o conselho pastoral e econômico. Também em Manaus, visitamos a comunidade que atende a Área missionária da Família de Nazaré e o Noviciado Continental “São Óscar Romero”. As 12 comunidades que compõem a Área missionária possuem suas capelas, celebram a Eucaristia todos os fins de semana e oferecem formação catequética. São comunidades vibrantes, animadas por sua caminhada de fé e vida cristã.

Padre Gabriel Oloo, Padre Fernando Barros, Padre Michelangelo Piovano e Padre James Lengarin em Manaus

De Manaus, seguimos para Boa Vista, no estado de Roraima, no extremo norte do Brasil, na fronteira com a Venezuela e a Guiana inglesa. A presença dos missionários da Consolata em Roraima e nas terras indígenas começou há quase 70 anos, em 1948. Esta é uma realidade missionária singular, de presença e trabalho entre os povos indígenas, em particular os Yanomami, Macuxi e Wapichana, entre outros.

Leia também: Visita Canônica percorre as comunidades no Brasil

Três fogos que nunca se apagam: oração, compaixão e silêncio

Encontramos e visitamos os missionários que trabalham nas comunidades indígenas de Cantagalo (Surumu), Maturuca, Baixo Cotingo, Raposa e Normandia. A acolhida que recebemos em cada comunidade foi sempre bela e festiva, com saudações dos coordenadores e líderes locais (tuxawa), catequistas, mulheres, jovens, crianças e alunos.

Comunidade Indígena de Maturuca

A acolhida é celebrada com dança, uma bebida tradicional e a oferta de ornamentos artesanais, como colares e pulseiras. Eles nos contaram sua história de luta e sofrimento para viver e trabalhar em suas terras sem a presença de invasores, como fazendeiros e garimpeiros. Após mais de 30 anos de luta a Terra Indígena Raposa Serra do Sol foi finalmente homologada pelo presidente da República em 2025.

No próximo ano, celebraremos o 50º aniversário do “Projeto de Deus para nós” nessa Terra Indígena que, por meio da Palavra de Deus, levou as comunidades indígenas a se sustentarem através da criação de gado, do cultivo de lavouras e, sobretudo, da renúncia a todas as bebidas alcoólicas. Tem como objetivo promover a autonomia, a cultura e a emancipação dos povos indígenas como também, a proteção do vasto território. Partindo da Palavra de Deus, missionários e catequistas trabalham pacientemente para educar e desenvolver a fé e a vida cristã desses povos, que se tornam a motivação para seguir em frente apesar das inúmeras dificuldades. É uma Igreja com rosto e expressão indígena, o que ajuda os próprios missionários a se integrarem melhor à cultura com todas as suas expressões e riquezas.

Oração do Terço diante da capelinha da Consolata em Maturuca

“A visita foi importante por mostrar a proximidade do Instituto para conosco missionários, mesmo os que nos encontramos nos lugares mais distantes, e nos possibilitar um diálogo amigo e fraterno com a Direção Geral, no lugar da missão, o que faz a diferença”, disse o padre Luiz C. Emer que trabalha com o Irmão Ayres Osmarin em Maturuca. “Faz-nos sentir parte de uma família que se interessa e nos acompanha. Também importante é o fato de poder confrontar com os superiores maiores a missão que estamos levando adiante para continuar o que é bom e melhorar”, avaliou. “Outro elemento importante foi o encontro dos superiores com as lideranças indigenas da comunidade. Mostrou para as lideranças que estamos aqui na missão como membros de um Instituto que no passado teve um papel decisivo nas conquistas dos seus direitos e que hoje quer continuar esta caminhada solidaria e deconsolação”, concluiu o padre Emer.

Comunidade IMC de Cantagalo, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Roraima.

A presença de cada missionário nessas comunidades deve ser discreta, respeitosa e capaz de colaborar com seus líderes. São, em sua maioria, jovens e mulheres que supervisionam a vida da comunidade em todas as suas necessidades: educação, saúde, emprego e formação. Embora haja coordenadores escolhidos pela própria comunidade, reina uma atmosfera serena de apoio mútuo e grande colaboração.

Visita à comunidade do Baixo Cotingo, na TI Raposa Serra do Sol

O trabalho de evangelização se insere nesse contexto, oferecendo, por meio da Palavra de Deus, a força para seguir em frente e não desistir diante das dificuldades e para lutar pela própria terra, salvaguardando a cultura indígena e os valores que são, em muitos aspectos, cristãos e evangélicos.

Viver nessa realidade nem sempre é fácil para um missionário; exige paciência, espírito de sacrifício e um grande amor por esse povo. Vimos isso em cada missionário que trabalha lá.

Celebração na sede da Área Missionária de São João Batista

Não conseguimos visitar a Missão de Catrimani, terra do povo Yanomami, mas tivemos a oportunidade de encontrar e conversar, em Boa Vista, com os dois missionários que lá trabalham, juntamente com os missionárias da Consolata.

Depois das missões indígenas, seguimos para conhecer os missionários que trabalham em Boa Vista, com os migrantes e na Área missionária São João Batista na periferia da cidade. Nos últimos anos, muitos migrantes chegaram e continuam chegando da Venezuela, mas também de Cuba e do Haiti. Juntamente com outras entidades, oferecemos acolhimento e assistência. Trabalhamos também com diversas entidades e associações voltadas para os povos e comunidades indígenas.

Nossa presença pastoral em Boa Vista, atende diversas comunidades nos arredores e algumas em áreas rurais. Na comunidade de São Josão Batista (foto acima), no domingo, 17 de maio, Festa da Ascensão do Senhor, celebramos também o centenário da páscoa de São José Allamano, recordando que o milagre que levou à sua canonização ocorreu na Missão Catrimani, com a cura milagrosa de Sorino Yanomami.

O mistério da Ascensão, no qual Jesus envia seus discípulos por todo o mundo, nos levou a refletir sobre como essa missão continua hoje na Igreja de Roraima, com a colaboração de missionários, catequistas e leigos. Uma missão que, ao longo dos anos, tem sido vivida com sacrifício, sangue derramado, vidas doadas, perseguição, por cauda da opção pelos povos indígenas, mas também de muitas consolações.

Padre Paulo Mzé, P. Michelangelo, P. James Lengarin, Dom Evaristo e P. James Murimi

No domingo, tivemos a oportunidade de visitar o Bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, OFM (foto acima). A visita a Manaus e Roraima concluiu-se com um encontro de partilha com todos os missionários em Boa Vista, na segunda-feira, 18 de maio.

Visita ao Centro de Documentação Indígena (CDI) em Boa Vista.

De 19 a 22 de maio, acontece a Assembleia Regional em São Paulo, que marcará a conclusão da Visita Canônica aos missionários da Consolata no Brasil.

* Padre Michelangelo Piovano, IMC, Superior Geral Adjunto.

Conteúdo Relacionado