Como era no princípio… pequenas comunidades

Pequena comunidade católica na Mongólia – Foto: Consolata Ásia

Pouco a pouco, e após diversas voltas e reflexões, a Igreja está chegando à conclusão de que a nova evangelização só pode ser concretizada e se tornar operativa através de pequenas comunidades, como era no princípio da própria comunidade de Jesus.

Por Comissão Arquidiocesana de Comunicações (Bogotá)

Há mais de dois mil anos, bastava chamar um a um, doze homens para estar com Jesus e enviá-los para pregar. São Paulo repetiu essa experiência em todas as cidades que visitou.

Muitos fundadores e fundadoras de ordens religiosas fizeram exatamente o mesmo: reunir alguns, enchê-los de Deus e enviá-los para replicar esta experiência sempre que possível. Hoje em dia, por exemplo, as comunidades neocatecumenais replicam a experiência fundadora com grande sucesso.

NA IGREJA HÁ UMA TENTAÇÃO LATENTE PARA GRANDES NÚMEROS

Quantas pessoas vão à missa, quantas são batizadas, quantas recebem sua primeira comunhão, quantas vão para o dia mundial de uma ou outra pastoral. Como se grandes números garantissem uma evangelização e conversão profundas, assim como o seguimento de Jesus.

Certamente não é assim que funciona, sem chegar ao ponto de afirmar que tais números não indicam algo concreto. Mas o grande desafio não é reunir homens e mulheres para eventos sacramentais ou pastorais ou várias iniciativas eclesiais, que não cheias quanto se desejaria. O verdadeiro desafio é chamar todas as pessoas em nome de Jesus para acreditarem nEle, segui-lo e transformar suas vidas a Sua imagem e semelhança. E isto leva tempo, dedicação, constância, esforço. E requer caminhantes e companheiros. Requer a comunidade.

PEQUENAS COMUNIDADES

As pequenas comunidades têm de fato muitas possibilidades de transformar em realidade o que tem sido proposto nas últimas décadas em toda a Igreja. Para isso elas devem ter excelentes guias e participantes muito ativos e constantes. Guias formados pela própria Igreja para que possam acompanhar seus irmãos e irmãs na fé no longo caminho de aproximação a Cristo e de fazer da fé seu próprio modo de vida.

Comunidade indígena Kichwa na fronteira entre Equador, Colômbia e Peru: Foto: Revista Dimensión Misionera (Colômbia)

E os participantes devem ser pessoas totalmente comprometidas com sua formação e experiência de vida cristã. Mas a chave para a ação dos bispos é formar muitos e bons promotores dessas comunidades para que o Evangelho tenha cada vez mais possibilidades de ressoar em todas as esferas da sociedade. Esta ação deve ser apoiada operacionalmente e decisivamente pelos padres para que a nova evangelização assuma uma forma clara e concreta nas circunstâncias de hoje.

SIMPLICIDADE EVANGÉLICA

Talvez um último ponto sobre a realidade das pequenas comunidades no trabalho evangelizador da Igreja seja: elas devem estar imbuídas de simplicidade evangélica. Não são um tipo de comunidade para pessoas iniciadas em coisas sofisticadas, reservadas para poucos ou algo semelhante. Jesus agradeceu a seu Pai por ter revelado estas coisas aos simples. A simplicidade não significa simplificação ou superficialidade. Significa que é o próprio Evangelho que molda o coração que crê e o capacita a caminhar no mundo como sal da terra e luz do mundo.

“Igreja nas Casas”: uma iniciativa da Arquidiocese de Florianópolis (Brasil) – Fotos: Divulgação

Embora hoje na Igreja haja um sentimento de que ela está sendo deslocada de certos espaços “institucionais”, talvez seja antes um chamado do Espírito para não se estabelecer em nenhum lugar e que esteja em contínua saída para formar novas comunidades de Jesus em todos os lugares e ambientes possíveis … como era no princípio.

Fonte: El Catolicismo – Arquidiocese de Bogotá (Colômbia) / Tradução: Consolata América

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