
Sob o lema “Voltemos a encontrar-nos”, jovens indígenas do Equador foram convidados a participar de um encontro no Dia Mundial das Missões.
Por Danmari Mujica*
O encontro ultrapassou as expectativas após meses de espera e silêncio devido ao confinamento vivido no mundo e às limitações de acesso às plataformas virtuais que já dominam as comunicações atuais; formas de estar presente e de dar continuidade às atividades planejadas. Os jovens indígenas convidados fazem o seu caminho na Pastoral das Nacionalidades, mais conhecida como SICNIE-J (Servidores da Igreja Católica das Nacionalidades Indígenas do Equador – Jovens), sigla em espanhol.

Quando o confinamento começou, não esperávamos que fosse prolongado dessa forma, entretanto a necessidade de retomar as atividades, junto à importância de cumprimentar, acompanhar e a necessidade de nos encontrarmos novamente, suscitou a preocupação de como convocar os jovens do SICNIE-J, levando em conta que a maioria dos participantes está localizada em zonas de pouco acesso às comunicações em redes. Contudo, o entusiasmo de tentar fazê-lo permitiu que a liderança nacional, juntamente com os agentes pastorais, se reunisse e planejasse o encontro.

Foi marcado para o Dia Mundial das Missões, 18 de outubro, através da plataforma Zoom, e contou com a participação de 65 jovens de nove províncias nas diferentes áreas: Amazônia, Costa e Serra. O entusiasmo dos jovens em continuar a caminhar juntos foi notável. A maioria deles se organizou para poder ter acesso à plataforma e estar presente durante todo o encontro. Para além dos jovens, havia também religiosos, sacerdotes e leigos que acompanhavam os diferentes grupos de jovens, e líderes que estiveram no passado e que agora desempenham responsabilidades sociais num espírito de fé e de serviço ao povo.

Discernimento e próximos passos
O encontro foi carregado de emoções ao nos vermos de novo, aqueles que participamos nos momentos e atividades anteriores deste 2020, como o encontro nacional que ocorreu em fevereiro deste ano, antes da pandemia. É por isso que, na agenda, a principal intenção era saber: Como nós estamos? Como grupo de jovens, o que temos feito? Como podemos continuar? O que queremos fazer como SICNIE-J nos próximos meses?
Os participantes partilharam os seus sentimentos e a forma como viveram este tempo de pandemia. A maioria permaneceu nas suas comunidades, junto das suas famílias, dedicados ao trabalho da roça e das plantações, entretanto, aqueles que vivem na cidade, contaram a experiência da perda humana e as limitações extremas a que foram submetidos até recentemente, quando chegou ao fim o toque de recolher obrigatório.

Inspiração e compromisso
Entre as grandes novidades, o jovem Carlo Acutis e a sua recente beatificação foram tidos em conta como exemplo e inspiração, bem como o de dois jovens da Zona Amazônica que entregarão o cargo que têm dentro da direção para continuar os seus processos vocacionais, especialmente neste mês das missões, onde a oração pelas vocações nativas e missionárias foi levada em conta.

Como fruto final deste encontro foi decidido manter contato e trocar informações através das redes sociais, programar outros espaços virtuais de formação/oração e realizar o encontro nacional para o início do próximo ano 2021, onde a Amazônia entregará a responsabilidade da liderança nacional para outra zona.
* Danmari Mujica, LMC, é leiga missionária venezuelana em Sucumbíos, Equador.


