STF decide futuro das terras indígenas

15 de outubro de 2020
Manifestação de povos do sul e extremo sul da Bahia em Brasília, em 2019, em defesa dos direitos constitucionais indígenas. Foto: Tiago Miotto/Cimi

O Supremo Tribunal Federal (STF) pode decidir ou começar a decidir o futuro das demarcações das Terras Indígenas (TIs) no mesmo mês que a Constituição brasileira completa 32 anos.

Por Instituto Socioambiental com Cimi *

Está previsto, para o próximo dia 28, o julgamento da reintegração de posse movida pelo governo de Santa Catarina contra a demarcação da TI Ibirama-Laklanõ. Como o STF reconheceu a “repercussão geral” do caso, ele vai fixar orientações gerais para todas as demarcações (saiba mais no quadro abaixo). A Constituição completa aniversário neste 5 de outubro.

Também no dia 28, o STF discutirá se mantém ou não a medida cautelar deferida pelo ministro Edson Fachin, em maio, que suspendeu os efeitos do Parecer 001/2017, instrumento usado para institucionalizar o “marco temporal” como norma dos procedimentos administrativos de demarcação. Pelo menos 17 terras indígenas tiveram seus processos de demarcação devolvidos da Casa Civil e do Ministério da Justiça para a Fundação Nacional do Índio (Funai) com base no parecer 001 (saiba mais). A medida cautelar é um procedimento usado pelo Judiciário para prevenir, conservar ou defender direitos.

Também no âmbito do processo de repercussão geral, do qual é relator, Fachin suspendeu todos processos judiciais que poderiam resultar em despejos ou na anulação de demarcações de terras indígenas até o final da pandemia de covid-19.

Entenda o caso de repercussão geral no STF que pode definir o futuro das terras indígenas do Brasil

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) lançou, nesta segunda, uma nota em defesa dos direitos indígenas em função do julgamento. “Obviamente que os nossos povos anseiam a reafirmação do Indigenato, o direito originário, congênito sobre as nossas terras e territórios, contra a tese do marco temporal defendido pela bancada ruralista e forças contrárias aos nossos direitos fundamentais”, afirma a nota da Apib.

Para comemorar o aniversário de 32 anos da Constituição, que garantiu o direito dos povos indígenas às suas terras, e alertar sobre a importância do julgamento, a Apib e organizações parceiras estão lançando ainda uma campanha em defesa desses direitos e das demarcações.

Nota da Apib – 32 anos de reconhecimento dos direitos dos povos indígenas

Saiba mais sobre esses importante julgamentos e acompanhe a luta dos povos indígenas em defesa da vida, de seus territórios e de seus direitos originários.

* Fonte: Conselho Indigenista Missionário (Cimi). www.cimi.or.br

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