Semana do Migrante: “Quem bate à nossa porta?”

A Igreja do Brasil celebra de 13 a 20 de junho, a 36ª Semana do Migrante. Atividades on-line e presenciais na Diocese de Roraima acontecem em Boa Vista e Pacaraima.

Por Diocese de Roraima

A Diocese de Roraima, por meio da Articulação dos Serviços aos Migrantes, a qual é uma rede que reúne serviços, organismos eclesiais e pastorais, se prepara para 36ª Semana do Migrante, cujo tema “Migração e Diálogo” apresenta um questionamento bíblico para toda a sociedade: “Quem bate à nossa porta?”. Com uma extensa programação, as atividades tivera início neste domingo (13), com uma missa de abertura, na Catedral Cristo Redentor, e seguem até dia 20 de junho (Dia Mundial do Refugiado).

Paralelo a programação, a Diocese de Roraima recebe a equipe de reportagem da TV Aparecida. Eles farão um documentário do trabalho da Igreja junto aos migrantes.

Baixe aqui a programação da 36ª Semana do Migrante na Diocese de Roraima

Este ano, a Semana do Migrante tem um duplo objetivo: colocar em pauta a temática da migração e, ao mesmo tempo, levar a um compromisso sociopastoral diante de tantos migrantes, muitas vezes sem rumo. O lema 2021 deixa em aberto uma pergunta pertinente à sociedade em geral – o migrante que bate à porta nos inspira ao acolhimento e ao diálogo ou nos fecha no isolamento e na indiferença?

Dentre as atividades presenciais, haverá serviços de saúde, sessões de filmes sobre a temática migratória e, ao final, debate sobre a abordagem do longa-metragem; atividade com mulheres, pessoas com deficiência e crianças migrantes; intervenção visual migrar com direitos e com respeito, nos dois shoppings da capital. Ao longo da semana também terá muitas ações on-line.

De acordo com o 2º vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Mario Antônio, bispo de Roraima, este ano o diálogo será o centro das reflexões, que é fruto do encontro. “Mesmo que as estatísticas apontem números cada vez mais alarmantes de migrantes e refugiados atravessando as fronteiras diariamente, essa questão não se trata apenas de números. São rostos, são vidas, histórias de superação em busca do básico para manter alimentação e saúde, em muitos casos, buscando o mínimo para sobreviver”, explicou.

Dom Mario, que também é presidente da Cáritas Brasileira, fez um grande apelo à sociedade roraimense e convida todos e todas a vivenciar a 36ª Semana do Migrante, neste tempo de pandemia com o olhar misericordioso a quem bate à nossa porta. “Que esta Semana do Migrante possa mover nossos corações para o diálogo e para que exercitemos a empatia pelos nossos irmãos e irmãs migrantes cristãos e cristãs, que deixaram seus lugares de origem, muitas vezes, cheios de esperança, a fim de alcançarem um novo horizonte de vida”, afirmou.

Um assunto que deverá também ser abordado durante a Semana será ainda as consequências geradas pelo fechamento da fronteira, a violência e a xenofobia contra frentes da igreja que atuam na defesa da vida da população vulnerabilizada.

Pesquisas

No campo das migrações, estatísticas refletem fluxos e caminhos cruzados. Nossa preocupação primeira não são os dados, mas é impossível evitar alguns. De acordo com entrevistas e pesquisas realizadas pela ONU Migração com participação da comunidade e de lideranças locais, somente no mês de maio, foram contabilizados 1.764 migrantes em 14 ocupações espontâneas da capital, ou seja, estão fora dos abrigos. O relatório apresenta as principais doenças que afetam a população das ocupações relatadas pelas lideranças, que são: gripe, doenças de pele e doenças respiratórias. No mês de maio não houve relatos de pessoas com sintomas de Covid-19.

Segundo o estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) 2021, o número de abrigados em Boa Vista e Pacaraima também aumentou em 2019, passando do patamar de mil para mais de 6 mil indivíduos vivendo nos abrigos, inclusive núcleos familiares completos. Até fins de 2018, os abrigos ainda comportavam a demanda, sendo que abrigos como o Tancredo Neves, Latife Salomão e Janokoida, só para citar alguns, já possuíam abrigados em número maior que sua capacidade.

Com o incremento da quantidade da população migrante que tem se fixado em Roraima, surgiram demandas por moradia. Como forma a atender esse novo contingente, o que se viu foi a reprodução continuada de vilas de apartamentos e de pequenas casas, com planta do tipo quitinete nos centros urbanos e na periferia de cidades como Boa Vista.

Ipea ainda faz referência às 38 ocupações irregulares na cidade de Boa Vista. São ocupações sem motivação política, independentes entre si, que não se caracterizam como um movimento social. Seguem regras de um líder, que coordena as ações que cada morador desempenha no local. A “Ocupação Criança Feliz” é uma das mais habitadas do estado e conta com aproximadamente 500 ocupantes. Outras ocupações espontâneas incluem o prédio da Embratur, o Ginásio Totozão e o espaço “Ka-ubanoko”, dormitório do tipo misto no qual há povos indígenas originários do Delta do Orinoco, em especial das etnias Warao e E’ñepá, e crioulos.

Coletiva de imprensa

Diocese de Roraima, em parceria com os integrantes da Articulação dos Serviços aos Migrantes (SPM, CMDH, Cáritas, SMJR, Fé e Alegria, IMDH, Pastoral Indigenista/CIMI, Missionários da Consolata, Pastoral da Criança, Projeto Marista, Pastoral dos Surdos, Casa São José, Núcleo Inter-religioso de Ação Coletiva pelos Migrantes da Pastoral Universitária e outros)

Fonte: www.diocesederoraima.org.br

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