Revista Missões apoia padre Júlio Lancellotti em meio a controvérsias de CPI

 Foto: Adriana Spaca
Foto: Adriana Spaca

Arquidiocese de São Paulo divulga nota de repúdio à proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara dos Vereadores para investigar ONGs na região da Cracolândia.

Por Revista Missões

A Arquidiocese de São Paulo divulgou nota de repúdio à proposta de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Vereadores para investigar ONGs atuantes na região da Cracolândia, com foco no padre Júlio Lancellotti, reconhecido por seu trabalho social. A Arquidiocese enfatizou a importância do trabalho desenvolvido pelo padre, reiterando sua dedicação na coordenação de serviços pastorais para atender pessoas em situação de rua.

Foto: Divulgação

A Revista Missões se solidariza com o Padre Júlio Lancellotti, enfatizando seu histórico e relevância no cuidado às pessoas em situação de rua, reafirmando o apoio à continuidade das obras de misericórdia junto aos mais necessitados da sociedade.

O pedido de CPI foi protocolado por Rubinho Nunes, ex-integrante do MBL, alegando a necessidade de fiscalizar ONGs que recebem financiamento público e questionando sua eficácia nos programas oferecidos. No entanto, líderes partidários negaram a existência de acordo para avançar com a CPI, chamando a proposta de eleitoreira. O vereador Rubinho Nunes defendeu sua iniciativa, mencionando indícios sérios contra algumas ONGs, embora negue perseguição ao padre Júlio, alegando que ele está diretamente ligado a essas organizações. Em seu perfil no X, antigo Twitter, o parlamentar associou Lancellotti a uma “máfia da miséria” ao comentar a instalação da CPI. Na imagem publicada, uma caricatura do padre carrega um rato nos ombros.

Em contrapartida, tanto o padre Júlio quanto a Arquidiocese reiteraram que ele não faz parte de nenhuma ONG e que sua atuação é uma ação pastoral da Igreja Católica na Cracolândia. O movimento A Craco Resiste também se manifestou, salientando não ser uma ONG, mas um projeto de resistência social na região.

Enquanto o tema será tratado no Colégio de Líderes após o recesso parlamentar, a polêmica permanece sobre a real intenção da CPI e seu direcionamento em relação às ONGs atuantes na região.

A CPI, se instalada, terá como objetivo declarado investigar organizações não governamentais (ONGs) que supostamente fornecem alimentos, utensílios para uso de substâncias ilícitas e tratamento aos grupos de usuários que frequentam a chamada Cracolândia, na região central de São Paulo.

Nas redes sociais, a reação à notícia da articulação para a instalação da CPI foi negativa. De acordo com um levantamento do analista Pedro Barciela publicado pelo site ICL Notícias, foram registradas 273,9 menções ao padre Julio no Twitter. Do total, 97,5% foram menções positivas e somente 2,5% negativas.

Lancellotti afirmou, em seu perfil no Instagram, que não pertence a nenhuma organização da sociedade civil ou não governamental que possui convênio com a Prefeitura de São Paulo. A atividade da Pastoral de Rua, coordenada pelo padre, é “uma ação pastoral da Arquidiocese de São Paulo, que por sua vez, não se encontra vinculada de nenhuma forma, as atividades que constituem o objetivo do requerimento aprovado para criação da CPI em questão”, explica o texto.

Não é a primeira vez que Lancellotti é alvo de setores conservadores da Câmara Municipal de São Paulo e de movimentos de extrema direita. Em outubro de 2020, Arthur do Val, colega de Rubinho Nunes dentro do Movimento Brasil Livre (MBL), foi condenado pela Justiça após chamar Lancellotti de “cafetão da miséria”.

Com informações da Arquidiocese de São Paulo, Brasil de Fato e Revista Missões.

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