I Seminário Internacional discute migração Warao

27 de novembro de 2020
Indígenas warao no Delta Amacuro, rio Orinoco, Venezuela. Fotos: Josiah K’Okal

O fenômeno da migração do povo warao será tema de Diálogos Interdisciplinares entre o Brasil e a Venezuela em Seminário Online nos dias 2 a 4 de dezembro de 2020

Por Josiah K’Okal

A história do povo warao mostra como as políticas indígenas e desenvolvimentistas os têm prejudicado ao longo dos anos. Na década de 1960, o aterramento do rio Manamo no Delta do Amacuro na Venezuela resultou em ecocídio e etnocídio em grande escala, resultando no deslocamento maciço do povo warao.

Na década de 1980, o colapso das indústrias madeireira e de óleo de palma no Delta causa outro deslocamento maciço dos warao. O fenômeno da migração warao chama a atenção da comunidade internacional apenas quando eles cruzam as fronteiras venezuelanas e chegam ao Brasil. Este movimento começa em 2014 e atinge o seu auge entre 2017 e 2018. Dentro do território brasileiro, este fenômeno toma outra proporção, com uma rede de circulação que abrange 18 estados brasileiros.

É neste quadro de migração dos warao que este Seminário Internacional foi organizado, com o objetivo de unir Venezuela e Brasil para promover um diálogo interdisciplinar sobre essa realidade.

O Seminário, que terá lugar entre os dias 2 e 4 de dezembro como um espaço para a partilha de projetos de investigação sobre o povo warao. A programação inclui conferências, mesas redondas, fóruns de investigação e ações com os warao e o testemunho de algumas lideranças.

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No Seminário serão lançados dois projetos: A Revista Entrerios, Vol.3, Dedicada aos warao e o E-book Yakera, Ka Ubanoko, com vários artigos de investigação sobre os warao.

Os Missionários da Consolata trabalham com as comunidades warao no Delta do Amacuro, Venezuela, e em Boa Vista, a capital de Roraima, Brasil, acompanham os imigrantes venezuelanos, especialmente os indígenas warao.

*P. Josiah K’Okal, imc, estuda antropologia em Quito, Equador.