Missionário da Consolata, Padre Sabino Mariga fez a sua páscoa

Pe. Sabino celebrando a Missa nos seus 80 anos – Foto: Julio Caldeira imc

Faleceu nesta sexta-feira, 28 de maio, em São Paulo, Padre Sabino Mariga, vítima de Covid-19. Com 55 anos de vida religiosa, Padre Sabino completou 80 anos em 28 de fevereiro, e celebraria 50 anos de ordenação sacerdotal em 12 de dezembro.

Por Maria Emerenciana Raia

Padre Sabino Mariga era natural de Erechim (RS), filho de agricultores. Um dia, alguns padres da Consolata foram visitar a família e o pequeno Sabino, então com 10 anos, gostou da conversa dos missionários.

Passaram-se quase três anos e o Padre Joaquim Quessada perguntou a ele se queria ser padre. Sabino aceitou e entrou no Seminário em 1954. Estudou em Rio do Oeste (SC) de 1958 a 1963 e foi para São Manuel (SP), onde fez o noviciado. Cursou teologia em São Paulo sendo ordenado diácono no dia 25 de setembro de 1971. A sua ordenação sacerdotal fio em Erexim no dia 12 de dezembro de 1971 e trabalhou por um ano em Jesuítas (PR). Em seguida trabalhou na formação em Três de Maio e Erexim (RS) e Cafelândia (PR).

No Norte do Brasil

Em 1977 partiu para a Amazônia e trabalhou por 10 anos em Manaus (AM) e nas missões de Roraima como Maturuca onde aprendeu muito com os indígenas Macuxi, a 300 km de Boa Vista, capital do estado.

Em entrevista exclusiva concedida em janeiro desse ano à revista Missões, padre Sabino lembrou de um acidente na missão em Roraima, em que viu a roda do próprio carro sair rolando à frente e de outra ocasião em que numa descida, o freio do carro falhou e um rapaz caiu e ficou enroscado entre os dois pneus. Quando conseguiu parar, padre Sabino pensou que o rapaz estivesse morto, mas só havia sofrido pequenos arranhões!

Após mais um período (1987-1990) como formador em Rio do Oeste (SC) e Erexim, em 1991 voltou para a Amazônia. Foi vigário paroquial na Santa Luzia em Manaus, fez curso de formação contínua em Roma e depois voltou a trabalhar em Roraima até 2004. Morou por oito anos em Alto Alegre (RR), de onde tinha as melhores lembranças.

Missionário a serviço dos irmãos

Foi ainda pároco em São Manuel, trabalhou em Jaguarari no Sertão da Bahia por quatro anos, uma paróquia com 90 comunidades. Padre Sabino estava na Casa Regional em São Paulo desde 2013, onde continuava sua missão, sendo responsável pelas compras e alimentação dos demais missionários.

Padre Sabino Mariga com o Padre Adriano Prado, ambos faleceram de Covid-19 em maio. Foto: Revista Missões

Sentia-se animado com a possível canonização do Fundador, o Bem-aventurado José Allamano afirmando que estava “esperando por esse momento como uma graça. É mais um santo no céu. Que ele nos proteja, nos ampare, e nos ajude a continuar na caminhada. Temos missionários e missionárias que podem ser santos, mas precisamos que o Fundador seja também. Seremos muito mais alegres e quem sabe a nossa Congregação caminhará melhor”.

Internado em um Hospital de São Paulo para se tratar da Covid-19 não resistiu às complicações impostas pelo vírus vindo a falecer.

Agradecemos a Deus pelo dom da vida e pela vocação missionária do Padre Sabino Mariga, especialmente pela sua contribuição na formação, animação vocacional e na missão em Roraima. Com fé na Ressurreição, imploramos sobre ele a misericórdia de Deus. Descanse em paz e brilhe para ele a luz eterna.

* Maria Emerenciana Raia é editora da Revista Missões.

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