Morre Dom Pedro Zilli, bispo brasileiro na Guiné Bissau

31 de março de 2021
Dom Pedro Zilli é recebido pelo Papa Francisco em novembro de 2014. Foto: Vatican News

Dom Pedro Zilli, PIME, bispo da diocese de Bafatá faleceu nesta quarta-feira, 31 de março, vítima da Covid-19. Nascido em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), a 7 de outubro de 1954, foi o primeiro bispo dessa diocese desde 2001.

Por Redação

O Bispo foi uma nova vítima da Covid-19, doença da qual vinha sendo tratado há dias em um hospital em Cúmura, Guiné Bissau. Dom Pedro Zilli era membro do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras (PIME), e a sua primeira missão após a sua ordenação a 5 de janeiro de 1985, foi justamente em Bafatá. Após um período de missão, regressou ao Brasil em 1998, onde prestou serviços na formação de seminaristas do PIME e foi vice superior Regional para o Brasil-Sul, quando foi eleito bispo a 13 de março de 2001, se tornando o primeiro bispo missionário brasileiro.

Em sua ordenação episcopal, um dos bispos consagrantes foi Dom Giuliano Frigeni, bispo de Parintins. Na diocese de Bafatá a maioria da população, 60% praticam religiões tradicionais africanas, 30% são muçulmanos e apenas 10% são cristãos. O trabalho da Igreja na região é de primeira evangelização, algo sempre presente no Pontifício Instituto para Missões Estrangeiras. No seu trabalho missionário, o PIME prioriza o  campo da educação e da saúde na Diocese de Bafatá.

Assista ao vídeo onde Dom Pedro Zilli fala sobre sua vocação missionária
Missão Paulo VI na cidade de Quebo

O Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) mantém desde 2014, na diocese de Bafatá, a Missão Católica São Paulo VI na cidade de Quebo para onde envia missionários (padres e leigos). A Missão foi inaugurada oficialmente dia 13 de dezembro de 2016 por Dom Mauro Aparecido dos Santos, arcebispo de Cascavel então presidente do Regional Sul 2, coincidentemente também ele falecido recentemente vítima de Covid-19 no Brasil.

Inauguração da Missão Beato Paulo VI em Quebo: Foto: Salete Lang

A iniciativa missionária está inserida no contexto de atuação do Conselho Missionário Regional (Comire Sul 2), por meio de Dom Pedro Zilli.

As Irmãs Missionárias da Consolata (MC) também estão presentes naquele país dedes 1992 quando chegaram em Empada, assumindo posteriormente missões na aldeia SOS (1994), na Ilha de Bubaque (2000) e em Bôr, Bissau em 2006.

Formação de seminaristas

A Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, atende ao pedido de Dom Pedro Zilli, todos os anos envia professores do Brasil por um certo período, para colaborar com a formação de seminaristas da diocese de Bafatá, por meio de cursos intensivos em diversas áreas. Diversos padres e professores já participaram desse programa. Existe também um convênio em que a CNBB em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO) envia professores para Seminário Maior Interdiocesano, dom Settimio Arturo Ferrazzetta, da diocese de Bissau, na Guiné-Bissau.

Guiné-Bissau

Com uma população de cerca de 1,6 milhões de habitantes, a República da Guiné Bissau é um país da costa ocidental do continente africano que se estende desde o Cabo Roxo até a ponta Cagete. Faz fronteira ao norte com Senegal, a leste e sudeste com a Guiné-Conacri (ex-francesa) e a sul e a oeste com o Oceano Atlântico.

Além do território continental, integra ainda cerca de oitenta ilhas que constituem o arquipélago dos Bijagós. Foi uma colônia de Portugal desde o século XV até proclamar unilateralmente a sua independência, em 24 de setembro de 1973 sendo a primeira colônia portuguesa no continente africano a ter a independência reconhecida por Portugal. Atualmente faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), das Nações Unidas, dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e da União Africana.

Nota de pesar

A CNBB expressou sua solidariedade aos familiares, amigos, ao povo de Deus e missionários na diocese de Bafatá e ao Pontifício para Missões Estrangeira (PIME) que puderam se enriquecer com a doação de Dom Zilli, enviado como missionário para evangelizar uma parcela do povo africano.

“Em preces pela alma de Dom Pedro Carlos Zilli reforçamos que ele, como os primeiros cristãos, não enfrentou tempos fáceis em seu ministério em solo africano. Contudo, conforme o Papa Francisco assinalou em sua mensagem para do Dia Mundial das Missões deste ano, testemunhamos que, pela sua fé em Jesus Cristo, esse nosso irmão espalhou o perfume do Evangelho, suscitando por onde andou aquela alegria que só Espírito pode dar. Diante do testemunho dedicado de Dom Pedro Zilli, reiteramos a certeza de que ‘a pessoa que se oferece e entrega a Deus por amor, seguramente será fecunda’ (Jo 15, 5).”

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