Migrações e Povos Indígenas: desafios e esperanças

“Migrações e Povos Indígenas” foi tema de videoconferência neste sábado, 25 de setembro, inserida na programação da Campanha “Eu não, Nós” por ocasião do 107º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado.

Por Jaime C. Patias *

Os migrantes e refugiados foram os protagonistas desta Campanha que aconteceu de 10 a 26 de setembro inspirada na Mensagem do Papa Francisco “Rumo a um nós cada vez maior”

A videoconferência foi coordenada pelos missionários da Consolata, os padres Isaack Mdindile e Josiah K’Okal, da Equipe Itinerante que trabalha na acolhida aos migrantes em Boa Vista, Roraima, em especial os indígenas originários da Venezuela: Warao, Pemon, Eñepa e Kariña. Os indígenas em situação de mobilidade buscam sua autonomia na gestão da vida da comunidade, preservação da cultura e identidade, sempre ligados à terra. Cada pequena conquista é celebrada com muita alegria.

Confira na íntegra a videoconferência com depoimentos, reflexões, histórias, músicas e danças dos indígenas no canal YouTube oficial da Campanha “Eu não, Nós”.

Participam do evento, migrantes e lideranças Indígenas, à exemplo de José Lisardo Moraleda, Anibal Pérez, Fiorela Ramos, Nilda Moraleda, Leanny Torres, Deirys Ramos, Eulogio Baéz, Fidel Torres, Ainda Gómez, Biasy, Milly Yusneidy Rodriguez Rivero. Participam ainda, o Coordenador do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) Regional Norte, Luis Ventura; e os padres da Consolata, Isaack Mdindile, Josiah K’Okal, e Jaime C. Patias.

Quando os povos originários são forçados a migrar de suas terras, significa que a crise socioambiental do Planeta está se agravando. Estão mexendo com a última fronteira do equilíbrio necessário para a sobrevivência da nossa Casa Comum.

Habitamos a mesma Casa Comum “e somos chamados a trabalhar para que não existam mais muros, fronteiras e cercas que nos separam, nem existam mais osoutros, mas só um Nós, do tamanho da humanidade inteira”, conforme diz o Papa Francisco.

A Campanha “Eu não, Nós” que encerrou este domingo, 26, foi uma iniciativa das Irmãs Missionárias Scalabrinianas (Assessoria de Comunicação) e contou com a colaboração de uma Equipe formada por representantes de congregações religiosas, organizações, Igrejas, jornalistas, artistas e juventudes. O objetivo foi dar visibilidade à causa dos Migrantes e Refugiados e sensibilizar as comunidades, as nossas igrejas, as instituições, os governos e a sociedade em geral a acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e refugiados.

Cresce o número de refugiados

Conforme o relatório anual do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), de junho de 2020, subiu para 82,4 milhões o número de refugiados. Para o porta-voz do ACNUR, Luiz Fernando Godinho, a pandemia é uma das razões do significativo aumento do deslocamento interno. Também as crises na Etiópia, Sudão, Síria, Moçambique, Iêmen, Afeganistão, Haiti, Venezuela e Colômbia provocaram um deslocamento interno de mais de 2,3 milhões de pessoas. Existem também, as vítimas do tráfico humano e os abandonados.

* Jaime C. Patias, IMC, é Conselheiro Geral para América.

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