
A Família Consolata na Colômbia celebrou o centenário da Páscoa de São José Allamano (1926-2016), Fundador do Instituto e canonizado em outubro de 2024 pelo Papa Francisco, após o reconhecimento de um milagre ocorrido na Amazônia. A comemoração jubilar foi vivida como memória agradecida, renovação espiritual e envio missionário, a partir de territórios que têm sido historicamente acompanhados pela Consolata no país.
Por Luis Mario Luna *
Os Missionários da Consolata chegaram na Colômbia no porto de Buenaventura em 1947, estabelecendo a sua missão ao longo das margens do rio Magdalena e, posteriormente, no sul do país. Desde o seu início, a sua presença tem sido decisiva no desenvolvimento humano integral, social e eclesial, especialmente em contextos amazônicos e periféricos.
Os primeiros missionários chegaram reconhecendo a Colômbia como terra sagrada de missão. Pouco tempo depois, o país também se revelou uma terra fértil, capaz de formar e enviar missionários ao mundo, ampliando assim os horizontes do carisma herdado de São José Allamano.

Presença que transborda do coração
No âmbito do centenário da morte de São José Allamano, a Família Consolata desenvolveu diversas atividades que fizeram uma memória agradecida do caminho percorrido desde a sua chegada ao país até hoje. Estas celebrações tiveram como epicentro o sul da Colômbia, território onde a presença dos Missionários da Consolata deixou uma marca profunda.
Celebrar este acontecimento em Florencia no Caquetá (Amazônia colombiana) foi, ao mesmo tempo, um exercício de revitalização missionária diante de um presente desafiador e um futuro incerto. Olhar para trás, avaliar o presente e projetar o futuro tornou-se um verdadeiro desafio para tornar a missão um território sempre «ao alcance».
Momento forte foi a realização nos dias 2 a 6 de fevereiro dos exercícios espirituais anuais em San Vicente del Caguán, guiados pelo padre Efrén Baldasso, IMC, vindo da Itália

A partir da figura viva de São José Allamano, fundador e formador, o padre Efrén ajudou a redescobrir uma pedagogia simples e profundamente humana, registradas em conferências, palestras familiares, celebrações e cartas. Durante toda a semana, a Família Missionária deixou-se confrontar pela atualidade do seu discurso, consciente da tarefa que tem pela frente, para continuar a navegar rumo ao futuro com esperança.
Concluídos os retiros, a Família Missionária dirigiu-se para a cidade de Florença para viver uma vigília de oração na paróquia de Torasso. O encontro começou com uma fogueira no átrio do templo, sinal do fogo interior que sustentou a missão ao longo do tempo.
A celebração eucarística foi presidida por dom Joaquín Humberto Pinzón, IMC, bispo do Vicariato Apostólico de Puerto Leguízamo-Solano, acompanhado por dom Omar de Jesús Mejía, arcebispo de Florença, missionários e missionárias da Consolata.
A liturgia coincidiu com a memória dos santos mártires Paulo Miki e companheiros, permitindo reler a história missionária a partir de pontos-chave essenciais: martírio, profecia e heroísmo, características que marcaram a vida de tantos missionários e missionárias da Consolata na Amazônia.

Na sua homilia, dom Joaquín descreveu os missionários da Consolata como: VISIONÁRIOS e ousados, capazes de abrir novos horizontes e assumir a Amazônia como missão; SANTOS com fogo no coração, herdeiros do ideal de santidade proposto por São José Allamano; GENEROSOS e enraizados, capazes de amar o território, acompanhar os povos e deixar-se transformar por eles. “A santidade produz fogo no coração, e o fogo no coração produz uma explosão de santidade na vida e na missão”, disse o bispo.
Memória e Caminho
A Catedral Metropolitana de Florença foi sede da celebração central dos cem anos da Páscoa de São José Allamano, um evento de especial relevância espiritual, histórica e social para a Igreja local e para Colômbia.

Esta celebração coincidiu com aniversários significativos das jurisdições eclesiásticas acompanhadas desde o seu início pelos missionários e missionárias da Consolata:
• 75 anos da arquidiocese de Florença
• 40 anos da diocese de São Vicente del Caguán
• 13 anos do vicariato Apostólico de Puerto Leguízamo–Solano
A Eucaristia foi presidida por dom Omar de Jesus Mejía, acompanhado por dom Francisco Javier Múnera, IMC, presidente da Conferência Episcopal Colombiana; dom William Prieto Daza, bispo de San Vicente del Caguán; dom Joaquín Humberto Pinzón, IMC, e numerosos presbíteros, missionários, missionárias, leigos e povo de Deus.

Durante a sua homilia, dom Omar destacou a importância desta comemoração como ato de gratidão a Deus e à Igreja, fazendo uma memória agradecida dos primeiros missionários que chegaram em 1951, liderados por Mons. Antonio María Torasso, IMC, e destacando figuras-chave como Mons. Ángel Cuniberti, IMC, pela sua visão estrutural e social, e dom José Luis Serna, IMC, pelo seu compromisso decidido com a paz. A missão da Consolata no imenso território amazônico do Caquetá resultou na criação da arquidiocese de Florença, diocese de São Vicente do Caguán e do Vicariato de Puerto Leguízamo-Solano com a liderança de seis bispos missionários da Consolata incluindo dom Luis Augusto Castro.

Ele lembrou, além disso, que as grandes obras missionárias só são possíveis pela graça de Deus e pela disponibilidade humana, reiterando a convicção herdada do fundador: «Primeiro santos e depois missionários».
Durante a mesma celebração centenária, de 6 a 8 de fevereiro, realizou-se em Florença a Expo-Missionária, com a participação das Igrejas locais, da Universidade da Amazônia, da Escola Normal Superior de Florença e da Família Consolata. Este espaço permitiu articular a memória com o presente, transformando-a numa festa de agradecimento e num horizonte de esperança para a região.

Neste contexto, a Universidade da Amazônia concedeu um reconhecimento à Família Missionária da Consolata pelo seu trabalho missionário na Amazônia, destacando o seu acompanhamento respeitoso, a formação integral e o compromisso com o desenvolvimento humano integral.
Como os rios
A corrente missionária nascida no Santuário da Consolata, em Turim na Itália, continua a fluir hoje como os grandes rios amazônicos: diversos, mas avançando juntos em direção ao mesmo mar. Assim, a Família Consolata reafirma que é possível a comunhão na diversidade intercultural sem anular identidades, não por uniformidade, mas na comunhão.
Com visão e risco, santidade e fogo no coração, generosidade e enraizamento, a missão continua, fiel ao sonho de São José Allamano e ao clamor dos povos.
* Luis Mario Luna Velasquez, Gabinete de Comunicação IMC – Colômbia.
