
Mais um ataque a uma paróquia na província de Cabo Delgado, Moçambique. A missionária comboniana, Irmã Laura Malnati, em declarações ao jornal “Avvenire”, afirmou: “Incendiaram a aldeia de Meza”. Os jihadistas queimaram a igreja paroquial de São Luís Maria Grignion de Montfort, a secretaria e a residência dos missionários, vandalizaram a creche e reduziram toda a missão a escombros.
Por Redação *
O apelo de dom Inácio Saure, IMC, arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM): “Parem de semear destruição e morte!”
O bispo de Pemba, dom Juliasse Ferreira Sandramo, apela à “solidariedade internacional: igrejas e capelas têm sido destruídas e incendiadas há nove anos”.

A violência jihadista continua em Cabo Delgado, Moçambique, onde uma guerra assola o país há mais de oito anos, resultando em mais de 6.200 mortes e mais de 1,3 milhão de deslocados. Isso se deve, em grande parte, à indiferença global.
Depoimento da Irmã Malnati
Na tarde de quinta-feira, 30 de abril, militantes do Ahlu al-Sunna wa al-Jama’a – um grupo local afiliado ao fundamentalista Estado Islâmico (EI) e ativo desde 2017 – atacaram a aldeia de Meza, no distrito de Ancuabe, na província de Cabo Delgado, no norte do país. “Eles incendiaram os edifícios da aldeia”, disse a Irmã Laura Malnati, provincial das missionárias Combonianas no país, ao jornal “Avvenire”.
“Felizmente, os padres foram avisados a tempo e conseguiram abandonar Meza antes da chegada dos terroristas”, acrescentou. Os terroristas também destruíram várias casas e incendiaram alguns edifícios paroquiais.

Dom Inácio Saure: “Basta semear destruição e morte!”
“Foi com uma profunda dor que recebi a notícia do ataque, no dia 30 de abril, contra a missão católica de São Luís Maria de Montfort de Minyeweni (Meza), da diocese de Pemba, criada em 1946, pelos missionários Montfortinos da Holanda, um autêntico património dos primeiros anos de evangelização de Cabo Delgado”, afirmou em nota dom Inácio Saure, IMC, arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).
“E como se esta bárbara destruição de infraestruturas ao serviço religioso e social da comunidade não bastasse, os atacantes voltaram a difundir clara e fortemente mensagens de ódio contra os cristãos – acrescentou o arcebispo. Isto contraria completamente a nossa cultura de convivência pacífica entre as pessoas de diferentes crenças religiosas em Moçambique, o nosso saber ser, o nosso saber fazer e o nosso saber viver em paz”, afirmou dom Inácio ao tomar posição face “a mais este condenável acontecimento como moçambicano, como cristão e presidente da CEM”.

No comunicado dom Inácio afirmou: “Quero manifestar o meu mais veemente repúdio à violência contra os cristãos e o meu mais vigoroso apelo ao respeito mútuo e ao amor entre aqueles que se reclamam filhos de Deus e, no nosso caso em particular, entre crentes das religiões abraâmicas como o Cristianismo e o Islão, pois o Deus de Abraão, o Deus de Mohammad e o Deus de Jesus Cristo, não é um Deus do ódio e do crime, mas um Deus do amor”, enfatizou o bispo.
Dom Inácio concluiu com um apelo: “Cessem de semear a destruição e a morte! Cessem a incitação à cristianofobia, e que nunca apareça a islamofobia, porque os muçulmanos não são nossos inimigos, eles são nossos irmãos muito amados! E mais do que isso, confesso que o meu maior pecado é de crer, firmemente, que todos os homens, crentes ou não, não só podem, mas devem conviver em harmonia e em paz”, concluiu citando o versículo bíblico “Aquele que tiver ouvidos, oiça” (Mt 13,9).

Bispo de Pemba: Comunidade em choque
Em mensagem à organização “Ajuda à Igreja que Sofre”, Dom António Juliasse Ferreira Sandramo, Bispo de Pemba, cidade principal de Cabo Delgado, explicou que os milicianos chegaram por volta das 16h e entraram na igreja, arrasando-a completamente e incendiando-a. “Uma cena de verdadeiro terror. Tudo foi reduzido a escombros. Durante o ataque, civis foram capturados e usados como público para discursos de ódio. Os missionários estão salvos, mas a comunidade está em choque.” No entanto, afirmou mais tarde, “a fé destas pessoas jamais será destruída.”
Apelo à solidariedade internacional
O bispo lançou então um apelo à solidariedade internacional a favor das vítimas da violência jihadista na região. “Pedimos atenção e solidariedade”, declarou, “há quase nove anos que capelas e igrejas da Diocese têm sido atacadas, destruídas e incendiadas.”
Um país na pobreza, mas rico em minerais
Cabo Delgado é uma das províncias que mais sofre pela pobreza em Moçambique, ocupando o penúltimo lugar no ranking do Banco Mundial. No entanto, o país é rico, sobretudo no Norte, em minas e reservas de gás natural, e inúmeras empresas ocidentais estão envolvidas na extração de recursos subterrâneos. Devido à violência, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, mais de 110 mil pessoas terão sido forçadas a fugir de suas casas até 2025.
* Secretariado para Comunicação com informações do Vatican News e Avvenire


