
Rádios católicas da América Latina e do Caribe se reuniram em Lima para formar a Rede de Emissoras Católicas (REC), um projeto destinado a fortalecer a missão pastoral, promover a comunhão entre seus integrantes e consolidar sua presença na era digital.
Por Julio Caldeira imc / com informações da ADN Celam *
De 26 a 28 de agosto, Lima sediou o Encontro de Rádios Católicas, convocado pelo Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam). Participaram do encontro 55 responsáveis por emissoras de 16 países, e o evento culminou com a criação da Rede de Emissoras Católicas da América Latina e do Caribe (REC), destinada a compartilhar conteúdos, gerar sinergias e manter o rádio como voz profética próxima aos povos.
Uma rede a serviço dos povos
Iolany Pérez, da Associação Latino-Americana de Educação e Comunicação Popular (ALER) e da Rádio Progreso (Honduras), destacou que a sinodalidade é um modelo de convivência humana baseado em ouvir, dialogar e decidir juntos. Apresentou cinco chaves: cultura da escuta, decisão em comum, unidade na diversidade, corresponsabilidade e capacidade de curar fraturas sociais.
O Pe. Vanderlei Santos de Sousa, diretor da Rádio Aparecida (Brasil), apresentou a trajetória desta emissora, fundada em 1951 e hoje presente em mais de 100 rádios no país. Explicou que sua missão é integrar evangelização, cultura, informação e produtos pastorais inovadores: “Trata-se de evangelizar com propósito, oferecendo conteúdos de qualidade, guiados por princípios éticos e em sintonia com o Evangelho”.

Também foi apresentada a experiência do Grupo Comunicarte da Colômbia, conduzida por Alma Montoya, que integra comunicação comunitária, educação e trabalho acadêmico para que as comunidades construam e divulguem suas próprias narrativas. A proposta se concentra em repórteres locais, mídias digitais, redes regionais e incidência política em favor de indígenas, camponeses, mulheres e jovens.
Comunicação missionária e sinodal
O secretário do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, Mons. Lucio Adrián Ruiz, convidou a ser “testemunhas de comunhão e missionários de esperança”, destacando três eixos para o futuro: formação criativa e responsável, construção de redes e missão na cultura digital.
Por sua vez, Mons. Daniel Francisco Blanco, coordenador do Centro para a Comunicação do Celam, lembrou que o rádio continua sendo o meio mais acessível para milhares de pessoas: “Ele continua sendo companhia e proximidade, mesmo onde a internet não chega”.

O anfitrião, Mons. José Antonio Alarcón, bispo de Huaraz, lembrou que a comunicação cristã deve ser humilde, aberta e capaz de “construir pontes e suscitar esperança em meio às sombras da sociedade”.
Sustentabilidade e futuro
Um dos grandes eixos do encontro foi a sustentabilidade. As emissoras compartilharam experiências como clubes de amigos, campanhas solidárias, ações culturais e parcerias com projetos ambientais.
Destacou-se também a transição digital, com aplicativos, redes sociais e plataformas de streaming como novas fontes de receita e fidelização de audiência. No âmbito pastoral, reafirmou-se a opção pelos pobres e marginalizados, dando voz a comunidades indígenas, migrantes e vítimas de violência, além da defesa da Casa Comum.

A REC assume, assim, o desafio de tecer redes solidárias, diversificar sua sustentabilidade e manter viva a identidade profética do rádio católico. Na era digital, o rádio na América Latina e no Caribe se reafirma como espaço de encontro, missão e esperança para os povos.
* Pe. Julio Caldeira é missionário da Consolata e membro do Conselho do Centro para as Comunicações do CELAM


