Assembleia Regional encerra a Visita Canônica em Moçambique–Angola

Missionários durante a Assembleia na casa Regional em Maputo: Foto: IMC Moçambique

Motivados pelo lema “Uma única família para a mesma missão”, que inspira o Ano da Vida Comunitária em todo o Instituto, os missionários da Consolata (IMC) da Região Moçambique–Angola reuniram-se em Maputo, de 29 de julho a 3 de agosto, para realizar a sua Assembleia Regional.

Por Sylvester Oluoch Ogutu *

A programação abriu com a santa missa na capela da Casa Regional presidida pelo Superior Regional, padre Casiano Kalima e concelebrada pelo Superior Geral, padre James Lengarin e o Conselhiero Geral para a África, padre Erasto Mgalama, juntamente com missionários vindos das várias missões da Região. Após a celebração eucaristica, o padre Casiano apresentou o programa da Assembleia.

O encontro marcou o encerramento da Visita Canônica às 15 comunidades IMC em Angola e Moçambique. Realizada de 1º de julho a 5 de agosto, a visita proporcionou aos superiores a oportunidade de dialogar com os 24 missionários e com as lideranças locais, conhecendo de perto a realidade da missão, os desafios enfrentados e o trabalho desenvolvido em cada uma delas.

Encontro com a Direção Regional

No segundo dia da Assembleia, após a celebração da missa, padre Erasto Mgalama conduziu uma inspiradora reflexão sobre o Ano de Vida Comunitária. A reflexão baseou-se no texto biblico (Lc 10,38-42) que narra a visita de Jesus à casa dos amigos Marta, Maria e Lázaro.

O Conselheiro Geral destacou a atitude de Maria, sempre pronta a “escutar a Jesus” e convidou a “evitar o demasiado ativismo” de Marta. Disse de que devemos “convidar Jesus”, como o fez Marta, pois “sem o convite de Marta, Maria não teria a oportunidade de escutar Jesus”. A missão é vivida em comunidade e sinodalidade. Por fim, padre Erasto deixou a tarefa de “tentar defender Marta porque sempre é vista como aquela que não escolheu a melhor parte”.

A programação prossegiu com a apresentação dos relatórios das zonas missionárias da Região onde foi destacado as alegrias, desafios e planos para o futuro da missão em cada realidade. Algumas perguntas a respeito de cada zona e missão ajudou a conhecer melhor a realidade da Região.

Em seu relatório, o Superior Regional, destacou o que se espera da Região salientando o projeto de iniciar um processo formativo em Angola num futuro próximo. A Região conta com um seminário filosófico e propedêutico na Matola. No fim do trabalho do primeiro dia, o administrador Regional, padre Andrew Kasumba apresentou o balanço econômico e a saúde financeira da Região.

No terceiro dia, após a celebração eucarística, as diversas comissões se reuniram para elaborar a programação para o ano 2026-2027. Na sequência, o Superior Geral, padre James Lengarin, deu a conhecer o relatório sobre a Visita Canônica realizada ao longo do mês destacando como a Região Moçambique-Angola se empenha na missão. Padre Lengarin chamou atenção para a “mudança de mentalidade” e a necessidade de “amar a Região com sinceridade. E falando sobre a nossa identidade missionária, pediu para “nunca nos esquermos de que somos homens de Deus e que a nossa fé e confiança n’Ele são tudo: são a raiz do nosso ser missionário, fonte da nossa força e a luz que guia cada passo”, afirmou.

Por fim, o padre James Lengarin agradeceu aos missionários pela acolhida recebida nas comunidades e pelo clima de serenidade que marcou a Assembleia. Em seguida, cada zona missionária apresentou sua ressonância sobre o relatório do Superior Geral. As atividades do dia foram concluídas com um momento de oração.

A Assembleia concluiu com a celebração eucarística no âmbito do centinário da Páscoa do Fundador, São José Allamano (1926-2026), presidida pelo padre James Lengarin e concelebrada com todos os missionários.

Visita ao túmulo de Dom Osório Afonso em Nampula

Na sua homilia, o Superior Geral fez um apelo “para viver o carisma do nosso pai Fundador nas nossas missões e comunidades”. E manifestou o desejo de que “as nossas comunidades sejam o lugar onde se viva a fraternidade e onde podemos crescer juntos como irmãos”.

Neste momento em que a Igreja em Moçambique lamenta a morte violenta do missionário da Consolata, Dom Osório Citora Afonso, bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, assassinado a 6 de junho de 2026, o Instituto é chamado a manter viva a memória deste “mártir da fé”, testemunhando a sua humildade, o seu zelo pastoral e a promoção dos valores da paz e da reconciliação.

A Visita Canônica, concluída com esta Assembleia, como acontece habitualmente em todas as Regiões do Instituto, constituiu um momento privilegiado de encontro e comunhão com os Superiores Maiores, que demonstraram disponibilidade, proximidade e paciência ao escutar cada missionário.

Após mais de um século de presença missionária nessas terras da África, esta visita representou uma oportunidade de renovação pessoal e comunitária para toda a Região. Foi também um momento propício para avaliar a forma como as diretrizes da Conferência Regional de 2024 vêm sendo assumidas e vividas nas diferentes comunidades.

Missa de encerramento da Assembleia e Visita Canônica à Região IMC Moçambique – Angola

Além disso, destacou-se a importância de concretizar, no cotidiano da missão, os documentos sobre o Ano da Vida Comunitária, celebrado em todo o Instituto entre março de 2026 e março de 2027, de modo que seus princípios se traduzam em atitudes concretas de fraternidade, corresponsabilidade e testemunho missionário.

* Padre Sylvester Oluoch Ogutu, IMC, missionário em Moçambique.

Missa durante a Visita Canônio na paróquia São Lucas de Maúa, diocese de Lichinga no Niassa. Foto: Cassiano Kalima
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